domingo, 6 de setembro de 2015

O novo EP de Patrícia Marx no KICKANTE

Hoje, aos 40 anos, não tenho mais tempo pra coisas sem profundidade, futilidades e egos de nenhum meio. Me sinto em paz comigo mesma e não tenho medo de morrer. Acho até que deveríamos pensar mais a respeito, pra que o medo de perder as coisas se tornasse a sede de ganhar. Vivemos no mundo do automático. Trabalhamos para não viver. E quando vivemos, a vida caiu na preguiça de refletirmos sobre a impermanência de tudo. Velocidade x Vida. Acredite. Nós estamos todos perdendo um tempo precioso nas coisas banais. (Patrícia Marx)

Patrícia não só fez uma linda transição de cantora infanto-juvenil para uma cantora madura, como cuidou de ampliar seu leque de estilos musicais. Mergulhou no Jazz, na Bossa-Nova, no Soul, no Romântico e em tantos outros oceanos criativos, poliédricos, que testaram seus limites e deixaram obras de inspiração e qualidade.

Mais do que tudo, há uma mistura de talento e carisma que permite à Patrícia viajar pelo tempo sem jamais perder os múltiplos admiradores que granjeou, merecidamente, ao longo dos anos.

Seu novo EP está sendo produzido através do "crowd funding", ferramenta de financiamento coletivo, pelo site Kickante.

Já dei minha contribuição, como fã confesso que sou, de Patrícia, desde o início de sua carreira, e recomendo a todos que o façam, no link abaixo.

Bernardo

http://www.kickante.com.br/campanhas/patricia-marx-vai-gravar-um-novo-ep-participe-0

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Lais Souza: 'Eu me vejo trabalhando com esporte'

O que posso dizer de minha admiração por Lais Souza que já não tenha dito antes?

E esse sorriso maravilhoso, capaz de inspirar um país inteiro?
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Lais Souza: 'Eu me vejo trabalhando com esporte. Competindo ou comentando'

A atleta ficou tetraplégica após acidente em treino com esqui. Mas exibe bom humor e pensa em se tornar ou paratleta ou comentarista de ginástica ou esqui

11/08/2015 às 18:14 - Atualizado em 11/08/2015 às 19:12



 Lais Souza: 'Tenho momentos ruins, mas preciso de energia para melhorar,
nada é fácil' (Rodrigo Antonio/VEJA)

A ex-ginasta e ex-esquiadora Lais Souza participou nesta terça-feira dos debates olímpicos promovidos pela Abril no Rio, projeto da editora Abril para os Jogos Olímpicos de 2016. Alegre e espontânea, com tiradas cheias de humor, Lais deu detalhes do acidente que a deixou tetraplégica, há um ano e sete meses, durante um treino de esqui nos Estados Unidos. Ela falou sobre as dificuldades de viver em uma cadeira de rodas, da importância do auxílio de seu cuidador e dos familiares, dos avanços em sua recuperação, e do seu futuro, que deve ter o esporte como centro, seja competindo ou como comentarista.

"Não tenho muitas opções, mas tenho pensado bastante em ser paratleta, conheci há pouco tempo a bocha adaptada. E também penso em trabalhar como comentarista de ginástica ou esqui, ou os dois né? Por que não?", disse Laís, em São Paulo.

Ela não se constrange em nenhum momento em falar do acidente. "Aconteceu quando treinava velocidade e freada na neve, a uns 70 km/h, perdi o timing, não sei extamente o que aconteceu...", contou Lais sobre o momento em que se chocou contra uma árvore, em Salt Lake City, onde treinava para os Jogos de Inverno de Sochi, em 27 de abril de 2014. Aos 26 anos, Lais contou que ter sobrevivido ao acidente foi "a vitória mais importante de sua carreira" e disse estar respondendo bem aos tratamentos. "Depois de aplicação de células-tronco nos Estados Unidos, tenho mais sensibilidade no corpo."

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Lais não recuperou os movimentos dos membros inferiores e superiores, mas não perdeu as esperanças. "Acredito que vou me recuperar, nem que seja apenas num dedo. Acredito nisso", contou, exibindo a tatuagem em seu braço direito, que representa um cadeirante voltando a andar. Disse ser muito agitada, "espoleta", e revelou um de seus hobbies no momento - que ainda a ajuda no tratamento. "Para fortalecer o diafragma e respirar sozinha eu cantava muito na UTI."

Lais: bom humor e muita esperança(Rodrigo Antonio/VEJA)

Acompanhada de seu curador, Willian Campi, a jovem natural de Ribeirão Preto agradeceu ao apoio dos fãs e das pessoas mais próximas. "Agradeço por tanta gente me ajudar ainda a ser eu mesma novamente. Como não me movimento, minha equipe tem umas dez pessoas. Hoje se eu quiser tomar um banho com calma preciso de três horas, é tudo difícil. Tenho hoje nova relação com minha família. Estamos nos conhecendo novamente."

Lais disputou as Olimpíadas de Atenas-2004, Pequim-2008 e Londres-2012 como ginasta. Ela disse aguardar um convite da organização dos Jogos do Rio para acompanhar de perto as partidas. "Além da ginástica, sou fã de basquete, vôlei, handebol. Fui a várias Olimpíadas, mas não tinha tempo de ver os jogos, gostaria de aproveitar isso agora."
(Da redação)


segunda-feira, 10 de agosto de 2015

“Crise é para os fracos” e outras cinco notas de Carlos Brickmann

Meus caros,
razões não são necessárias para transcrever um artigo de Carlos Brickmann. É um de nossos maiores jornalistas e conhece como poucos os intestinos traiçoeiros de nossa política. Seus comentários a respeito do atual desgoverno petralha são sempre uma luz no fim do túnel.

Bernardo
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Crise é para os fracos

Carlos Brickmann

Inflação em alta, PIB em baixa, desemprego em alta, popularidade da presidente em baixa, som das panelas em alta, vozes do governo em baixa ─ vozes que não se manifestaram nem para defender o companheiro de partido que sempre adularam, neste momento em que é recolhido à prisão. A coisa está tão séria que Aloizio Mercadante, em geral coerente em sua arrogância, comportou-se com modéstia no Congresso, dizendo que o PSDB age de modo elegante, e admitiu até que o Plano Real conteve a inflação ─ justo ele, que liderou a oposição do PT ao Real e garantiu que aquilo não ia dar certo. Tão grave que Michel Temer, sempre cauteloso, disse que alguém tem de unir de novo o país ─ alguém cujo nome, claro, comece com M, de Michel Miguel Elias Temer Lulia.

Mas a crise não é o maior problema de Dilma. O maior problema é que ela deixou de ter importância política. Convocou 80 parlamentares para um churrasco noturno ─ algo inusitado no horário ─ e lhes fez uma série de exortações. Dali os parlamentares saíram direto para um jantar normal, com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, para rir dos pedidos de Dilma e combinar as próximas derrotas que lhe imporiam. Combinaram e executaram: multiplicaram o salário de várias carreiras jurídicas, com 95,3% dos votos (até de petistas), arrombando o ajuste fiscal. No dia seguinte abriram caminho para examinar as contas de Dilma. Se as rejeitarem, fica a seu critério colocar o impeachment em votação.

O problema de Dilma não é a crise. É não ser mais levada a sério.

Como é o nome deles

Michel Miguel Elias Temer Lulia faz anos em 23 de setembro. É casado com Marcela Tedeschi Araújo Temer, nascida em 16 de maio. 

É bom ir decorando.

Fuscão vermelho

Numa estranha reportagem, sob o título Intelectuais ligados ao PT criticam prisão, aparecem apenas cinco personalidades em todo o país que defendem José Dirceu: os atores José de Abreu e Paulo Betti, os escritores Luiz Fernando Veríssimo e Fernando Morais e o produtor cinematográfico Luiz Carlos Barreto. O editor e escritor Luiz Fernando Emediato associou-se depois ao grupo. Nada de Chico Buarque, Marilena Chauí, Antônio Cândido, Frei Betto, Leonardo Boff e outros intelectuais sempre ligados a José Dirceu.

Deixaram-no só.

Dez anos depois

Diziam os antigos que os poetas eram adivinhos; a palavra “vate”, poeta, gerou “vaticínio”, adivinhação. Pois não é que os antigos tinham razão? No Carnaval de 2004, o Bloco do Pacotão, formado por jornalistas de Brasília, cantou a marchinha Ô, Waldomiro!, sobre o vídeo em que Waldomiro Diniz, auxiliar próximo de José Dirceu, negociava propina com o bicheiro Carlinhos Cachoeira (https://youtu.be/dmHAPk8RI6Y). 

Dizia a letra: Ô Waldomiro, ô Waldomiro, me responda, por favor/ Se neste rolo, o bicho pega, nosso Lulinha Paz e Amor. /Ô Waldomiro, ô Waldomiro, me diga o bicho que deu/ Se o Zé Dirceu, se o Zé Dirceu, se o Zé Dirceu também comeu. /Ô Zé Dirceu, que bicho deu? Ô Zé Dirceu, eu quero o meu./ Ô Waldomiro, Ô Waldomiro, me diga o bicho que deu/ Se quem comeu, foi só o Magela, ou Zé Dirceu também comeu. 

Magela era político do PT de Brasília. O presidente da República na época era Lulinha Paz e Amor.

Passa, passa, Pasadena

E, por falar em passado, já acabaram as investigações sobre a compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos? Em 2005, uma empresa belga, a Astra Oil, comprou a Refinaria de Pasadena, no Texas, por US$ 42,5 milhões. Um ano depois, em 2006, a Petrobras pagou à Astra Oil US$ 360 milhões por metade da refinaria (mais uma parte do estoque de petróleo para refinar). Em 2012, a Petrobras comprou a parte da Astra Oil, os 50% restantes, gastando US$ 812 milhões. No total, pagou US$ 1,18 bilhão pela refinaria que a Astra Oil tinha comprado cerca de sete anos antes por US$ 42,5 milhões. Foi o caso Pasadena que tornou conhecido um discretíssimo diretor da Petrobras chamado Nestor Cerveró.

Mas, escândalo encobre escândalo, faz tempo que ninguém fala de Pasadena. Mas a pouco usual operação certamente ainda dará o que falar.

O Brasil paulistano


Preste atenção em uma série de episódios da administração do prefeito paulistano Fernando Haddad que lembram casos federais protagonizados por seu partido, o PT. Há problemas germinando: a parceria público-privada para a iluminação de São Paulo foi suspensa pelo Tribunal de Contas do Município, por irregularidades. As ciclovias, orgulho maior do prefeito, foram feitas sem concorrência pública (a desculpa, por incrível que pareça, é que não se tratava de “obras”, mas de “readequações” ─ embora as placas se referissem às obras das ciclovias). A concorrência para implantação de faixas de ônibus foi suspensa, por indícios de superfaturamento, pelo Tribunal de Contas da União (que examina o caso, já que há verbas do PAC). Alguns dias antes, o Tribunal de Contas do Município também tinha mandado suspender as obras, pelo mesmo motivo. 

Marta Suplicy, prefeita pelo PT, fez inúmeras faixas de ônibus sem suspeita de superfaturamento. Ou seja, é possível. Haddad trabalhou com Marta, mas só na área de criar taxas.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

"UATAFAC", por Vlady Oliver

Meus caros,
vivemos o prenúncio de um novo impeachment, tão justificado ou mais do que aquele que testemunhamos em 1992. Hoje, em meio à derrocada desse desgoverno, Gerson Camaroti, do G1, veiculou a grotesca notícia de que ninguém menos do que Lula estaria sendo cogitado para ocupar algum dos inúmeros ministérios de Dilma, como suposta solução para "estancar a crise". O colunista Vlady Oliver escreveu artigo excelente que merece ser transcrito por ecoar a opinião da grande maioria dos brasileiros, e por caracterizar com perfeição esse bando de nojentos, vagabundos e corruptos que infecta o governo.

Bernardo
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Oliver: UATAFAC?

Vlady Oliver

Quer dizer que isso aí é isso aí mesmo? A canalhada quer a volta de ninefingers pelo atalho de um ministério picareta? Quer o nojento-chefe escondido num carguinho qualquer que lhe garanta a blindagem de um foro privilegiado? Isso aqui só pode ser o Brasil mesmo. O país da impunidade rampeira. O país dos inimputáveis. O país dos elogios rasgados a tudo o que é essa pilantragem nojenta que nos empurram dia sim e dia também por aqui.

Não é para menos que o brasileiro — qualquer brasileiro — esteja a ponto de explodir. Não é saudável termos no poder gente com essa índole cortejando uns aos outros numa festinha indecente; siameses na rapinagem do Estado elefante que nos gatuna o futuro do país. Lembro muito bem das lições que tive de minha advogada — uma das melhores do país, mas que nunca defendeu bandidos — sobre a tal “consciência jurídica” que se forma num processo. Os caras querem fugir, dissimular, mentir, provocar, negociar com as autoridades, de modo a continuarem inimputáveis, reincidentes, criminosos e servidores públicos.

É um escárnio. Em que lugar decente deste planeta um programa de partido como o de ontem teria voz e vez, escoiceando a plebe rude? O Goebells em compota — mais conhecido como Santanão — bem que tentou dourar o supositório antes de expô-lo ao mundo. Não colou. Ocupado com minhas panelas, não vi, não li, nem entendi do que se tratava aquela tramóia. Vendo depois, tudo fica claro.

O PT quer provocar o país. Quer assustar o cidadão. Quer dissimular. Esconde a roubalheira endêmica com a peneirona da ideologia rombuda e os eufemismos de quem é mestre na prestidigitação. Que eu saiba, toda a história da humanidade está recheada de calhordas que, mais cedo ou mais tarde, revelaram sua real natureza. O que vai por aqui é a tentativa mais torpe e pusilânime de enganar a plebe rude mais uma vez.

Não há um cretino agora, daqueles pagos pela mortadela oficial com o nosso dinheiro público, que venha defender o legado desses bandidos. Estão todos assustados com o banho de imersão que pode matá-los, grudados que foram na bolsa de gônadas dos chefes de toda essa vigarice. E a mulher-erectus continua lá, grudando velcro no Planalto. Alheia aos gritos inclementes da nação danada, que pede que a rendição se dê em condições de civilidade.

O partido vem à público desafiar a sociedade, meus caros. Bem se vê de que forja foram feitas essa fundas picaretas, que atiram no cidadão comum a pedrada da indecência na política. Ontem foi o dia de muitas lideranças cacarejarem em coro. Foi o dia de pedir entrevista até com o porteiro do Congresso. Todos juntos e irmanados numa tal de governabilidade, que nada mais é que a senha para roubar mais um pouco, enquanto ainda há tempo. Pouco tempo.


Não há contemporização que chegue com essa gente no poder, meus caros. A carta-renúncia da mamulenga já foi escrita. Num país tão louco que a dona pediu ajuda aos universitários — com diplomas falsos como o dela — para redigir o documento que ela não pretende entregar a ninguém. O que ela quer mesmo é se vestir para a guerra, tal qual um Rambo fora de esquadro, brandindo sua baionetinha velha nos transeuntes, de modo a mostrar quem ainda manda por aquelas paragens e paredes.

Vá cuidar do netinho superfaturado. Aproveita enquanto a cabeçona manca ainda se sustenta sobre o pescoço. A do meu sobrinho, por exemplo, foi abatida a pauladas recentemente. Encara esse país que vocês governam, uma farsa gigantesca chamada Brasil, agora que ele tá lá fora do palácio, te esperando.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

"A nação espera", por Valentina de Botas

Meus caros,
na semana passada surgiram notícias de que Lula pretendia solicitar a FHC um encontro para tratar de alternativas ao impeachment de Dilma Rousseff. O ex-presidente tucano foi rápido em declinar o pedido, e o fez através desta nota: “O momento não é para a busca de aproximações com o governo, mas sim com o povo. Qualquer conversa não pública com o governo pareceria conchavo na tentativa de salvar o que não deve ser salvo”. Segue o artigo de Valentina de Botas publicado em 26/07/2015, sobre o assunto. É irretocável. Traduz com absoluta perfeição o sentimento de nojo que os brasileiro têm em relação a essa quadrilha sórdida que se aboletou no Planalto.

Bernardo
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A nação espera que a oposição oficial assimile a lição de FHC

Valentina de Botas

A FHC só restava ser ele mesmo, como ao jeca só restou ser o lula que é. Lula se negou a apoiar Tancredo Neves no Colégio Eleitoral; deputado constituinte, comandou o PT no voto contra a Constituição “burguesa” de 1988, o registro – prolixo e imperfeito, mas legítima expressão da sociedade brasileira quanto ao que ela queria ser quando crescesse – do renascimento de uma nação depois de parto tão difícil, da ressuscitação da democracia que ainda não havia passado da primeira infância em 100 anos de república; desdenhou do apoio de Covas contra Collor.

Vinte anos depois, fez um mea culpa quanto à Constituição reconhecendo que ela ensejou a eleição dele: eis aí, ele, outra vez ele, outra vez os desejos dele com as perversões intrínsecas. É patológico. Cego para os interesses do país e por índole, pela deformação do peleguismo do sindicalismo ou tudo somado, prefere acertos sorrateiros, fora dos espaços e limites institucionais.


Jamais reconhece interlocutores onde não vê comparsas porque só enxerga o projeto de si mesmo. O protagonismo máximo que os interesses do país alcançam nesta fábula primitiva é como plataforma do projeto que significou o revés do parto da nação moderna em que já poderíamos ter nos transformado se as reformas da era FHC tivessem sido aperfeiçoadas e outras iniciadas. Mas aí veio o lulopetismo arcaizante fazendo nosso futuro retroceder.

Como o Brasil real é mais intrigante do que qualquer Macondo fictícia, os portais críticos que logo cruzaremos talvez sejam uma oportunidade de restabelecermos o futuro, fazermos da política nacional menos policial e estupidamente ideológica, enfim, levar para tomar sol nosso sonho de um país civilizado. Esse horizonte fica mais próximo com a resposta de FHC ao assédio cafajeste da súcia que buscava uma sobrevida à custa do prolongamento da nossa agonia.


Quando olha para FHC, o jeca não vê uma reserva moral da nação no interlocutor que nunca reconheceu e cuja trajetória atacou de todas as formas no inconformismo secretamente nítido de jamais poder vivê-la, vislumbra apenas a chance última de exercer o oportunismo de salvação não do país, mas outra vez do mesmo projeto canalha, do que não tem conserto nem nunca terá. Claro que FHC não está se vingando das infâmias que apequenaram só o homenzinho bisonho que nunca foi grande; ele simplesmente respondeu ao jeca com o que este desconhece: a estatura moral de uma biografia compatível com um país decente do qual a de Lula é antagonista.

Resistindo com naturalidade de estadista ao assédio desesperado de um caudilho ridículo que adivinha o camburão chegando e já escuta a sétima trombeta que ribombará em 16 de agosto, FHC foi leal não somente à própria biografia, mas ao país que é inseparável dela. A nação exaurida que quer se reerguer, ter a si mesma como assunto e projeto, espera que a lição de lealdade e coerência dele seja assimilada pela oposição oficial. Não merecemos menos do que isso.

domingo, 24 de maio de 2015

Jânio Quadros: há 30 anos, e 30 anos antes disso

Em 1959 e em 1985.
Não houve e não haverá político como Jânio.






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Jânio - Vida e Morte do Homem da Renúncia
Vol I: "Um Moço Bem Velhinho"
Bernardo Schmidt
Editora O Patativa
350 pgs ilustradas
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sexta-feira, 10 de abril de 2015

"Por que não saio, não emigro, não desisto do Brasil", por Ethevaldo Siqueira

Ethevaldo Siqueira
Meus caros,
muitas vezes quis postar textos sobre a horrenda situação política que o Brasil tem atravessado nos últimos doze anos. Durante a campanha presidencial, no ano passado, quase criei um blog só para isso, tal era meu ímpeto de compartilhar análises, tanto minhas quanto de outras pessoas. Os textos de Ferreira Gullar sobre a eleição, por exemplo, são lapidares; merecem ser enfeixados em livro urgentemente. Eu morria de vontade de divulgar tudo isso, mas evitei porque procuro não politizar demais o blog. Hoje, porém, li um texto do jornalista Ethevaldo Siqueira que me impressionou muito pela lucidez, pela clareza e pela objetividade. Considerando os estertores do governo Dilma e as manifestações agendadas para o dia 12, pedi-lhe permissão para divulgar seu texto aqui e ele, generoso, a concedeu.

Faço minhas as palavras de Ethevaldo. Todas elas.

Leiam. Não pequemos por silenciar no momento do debate. Vamos dar nossa opinião. Enquanto podemos.

Bernardo
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POR QUE NÃO SAIO,
NÃO EMIGRO,
NÃO DESISTO DO BRASIL

Ethevado Siqueira

Às vezes, o desespero bate firme em minha cabeça e eu quase sucumbo à ideia de ir embora, emigrar, sair do Brasil e viver meus últimos anos num país onde não haja tanta corrupção, tanta incompetência e demagogia quanto neste lamaçal que inunda Pindorama ao longo dos últimos 12 anos e 100 dias.

Conheço 84 países, alguns bem mais do que outros. Mas o suficiente para saber que não há país perfeito. Alguns dos países que conheço são realmente admiráveis, civilizados, cultos, desenvolvidos e verdadeiramente democráticos. Neles predomina a liberdade do cidadão, a meritocracia, o respeito humano e a segurança social. Neles, a corrupção é sempre punida.

Os governos petistas que tomaram de assalto o Estado brasileiro me produzem repugnância, asco, nojo. Não preciso dizer por quê. Eles são o que de pior já dominou a política brasileira ao longo dos últimos 100 anos. Essa tragédia nacional tem levado muitos jovens e adultos a emigrarem em busca de uma nova vida e de novas oportunidades.

Eu sempre reagi a essa saída – a do Aeroporto de Guarulhos. Mesmo no tempo da ditadura militar, preferi enfrentar todos os riscos da repressão a emigrar. Hoje, embora arrasado emocionalmente, reajo e me recuso a fugir da raia. Não por medo de enfrentar desafios lá fora. Eu saberia superá-los, mesmo num ambiente estranho e numa cultura diferente da minha. Digo-lhes, sem pretensão: eu não teria medo de começar uma nova vida aos 82 anos, em alguns dos melhores países cultos que conheço.

Mas sair do Brasil me traria o maior sentimento de culpa por fugir de minha Pátria e entregá-la à sanha dessa corja de ladrões. Eu quero lutar com as minhas armas – minha voz, meus textos, minhas palestras, meus espaços nas redes sociais e na mídia – para ajudar a derrotar a mentira, a traição aos milhões que acreditaram um dia que existia um partido diferente, ético, idealista, defensor verdadeiros da população mais humilde – não para cooptá-la, nem para ganhar eternamente seus votos. Mas que vemos hoje, dolorosamente, que é o pior partido da história deste País.

Não sou movido por nenhum tipo de ódio ao PT, um partido que se prostituiu e que está caindo de podre. Ele não merece nosso ódio, mas, sim, nosso nojo e nossa repulsa contra o que ele representa de corrupção, de desonestidade política e intelectual, de traição sem limite.

Eu não saio, não emigro deste País. Se tiver mais 10 ou 15 anos de vida, serão anos de luta e pregação por um país melhor. E concito todos os que estão arrasados com o que vemos todos os dias a lutar, enfrentar a mentira e corrupção.

Não entreguem a rapadura. Batam duro, sem dó nem piedade, digam toda a verdade sobre o quadro dramático deste país, sem aumentar nem diminuir um milímetro, sem dizer nenhuma mentira ou calúnia – apenas com a dura realidade que temos de mudar.

Não desistam do Brasil.

E dia 12 de abril todos na rua, para manifestar nosso repúdio ao desgoverno Dilma.
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