Dilma aprofunda desastre econômico. Perdeu a capacidade de governar. Quanto mais cedo sair, melhor para o Brasil
sexta-feira, 4 de março de 2016
sábado, 27 de fevereiro de 2016
"Que venha o impeachment!", por Roberto Freire
Os novos desdobramentos da Operação Lava Jato, com a prisão do marqueteiro petista João Santana, desnudaram a magnitude do projeto criminoso de poder levado a cabo pelo PT nos últimos 13 anos. Os indícios de que o publicitário teria recebido dinheiro por meio de contas mantidas no exterior por uma das empreiteiras envolvidas no petrolão – supostamente para quitar despesas de campanhas do partido – ligam o esquema de ilegalidades ao núcleo do lulopetismo e, se é que ainda havia alguma dúvida a respeito, levam o maior escândalo de corrupção da história da República a subir a rampa do Palácio do Planalto.
Mais do que um simples marqueteiro, responsável pelas campanhas de Lula (2006) e Dilma Rousseff (2010 e 2014), Santana se transformou em um conselheiro político da presidente da República, o que lhe rendeu a alcunha de “ministro informal da propaganda” do governo lulopetista. Sua prisão reforça as suspeitas de que a campanha à reeleição de Dilma foi financiada pelo dinheiro desviado da Petrobras por uma verdadeira quadrilha que assaltou o Estado brasileiro, o que impulsiona as ações que pedem a cassação da chapa encabeçada pela petista junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Além da hipótese da cassação da chapa, que será examinada pela Corte Eleitoral, a tese do impeachment da presidente ganha força às vésperas de novas manifestações que tomarão as ruas brasileiras no próximo dia 13 de março. Ao contrário da versão propagada pelo governo nos últimos meses, ela nunca havia saído da pauta, embora tivesse sofrido certo arrefecimento desde o fim do ano passado. Na esteira da nova fase da Lava Jato, que conecta cabalmente o petrolão ao gabinete presidencial, não há dúvida de que volta à ordem do dia com força total.
As oposições já se manifestaram publicamente em apoio à nova rodada de protestos em todo o país, convocando seus militantes e toda a sociedade brasileira a irem às ruas em prol do impeachment. Não são Dilma ou o PT que vêm sangrando em meio à mais grave crise já enfrentada em nossa história, é o próprio país! A presidente e seu partido fazem o Brasil sangrar com a corrupção desenfreada, o desmantelo, o estelionato eleitoral, o desemprego, a inflação, a ameaça às instituições republicanas, entre outras mazelas. Precisamos, urgentemente, de um novo rumo, e só será possível trilhar esse caminho a partir de um governo mais ético, decente e eficiente.
A mobilização da opinião pública e das forças políticas em favor do impeachment, apoiado pela expressiva maioria da população brasileira, também é importante para sensibilizar o Supremo Tribunal Federal (STF). Os ministros têm a obrigação moral de julgar com celeridade os embargos apresentados pela Câmara dos Deputados que contestam a absurda decisão da Corte de mudar o rito do processo de impedimento no Congresso, interferindo abusivamente no Poder Legislativo e contrariando entendimento anterior firmado quando do afastamento do então presidente Fernando Collor, em 1992.
Independentemente do que vier a decidir a Suprema Corte em relação às contestações apresentadas pela Câmara, o fato inescapável é que o desgoverno do PT está na berlinda, acuado diante das investigações sobre as práticas criminosas cometidas nesses tristes tempos de Lula e Dilma. Os brasileiros devem se inspirar no lema adotado pelos movimentos sociais que convocam a manifestação de 13 de março: “ou você vai, ou ela fica”. É disso mesmo que se trata. Nunca estivemos tão perto de colocar um ponto final no pior governo da história da República e, para tanto, é fundamental tomar as ruas de norte a sul do país e cerrar fileiras em favor da Lava Jato, da democracia, das instituições e do futuro do Brasil. A hora é agora, não dá mais para esperar. Impeachment já!
Roberto Freire é deputado federal por São Paulo e presidente nacional do PPS
domingo, 14 de fevereiro de 2016
"O Que Lula Tem a Dizer", por Eliane Cantanhêde
Dilma, o PT e o País querem a verdade de Lula, mas que verdade?
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| Eliane Cantanhêde |
Dilma Rousseff, a cúpula e os militantes do PT e o próprio Instituto Lula esperam ardentemente por explicações claras, honestas e objetivas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o sítio de Atibaia, o tríplex no Guarujá, as operações de compra e venda de medidas provisórias, as viagens em jatos das empreiteiras da Lava Jato, o milionário envolvimento do filho com um lobista com interesse no seu governo. Vão ter de esperar sentados.
O que Lula poderá dizer? Que não sabe, não viu, não ouviu e não tem nada a ver com o sítio para onde levou metade da mudança, 37 caixas de bebidas (haja adega!) e os seguranças da Presidência da República 111 vezes? Nem com o tríplex onde Marisa Letícia supervisionava as obras da cozinha, dos quartos, do elevador interno? Nem com a fortuna que o caçula ganhou para copiar a Wikipédia? Nem com a relação de causa e efeito entre as suas viagens e as vantagens obtidas por empreiteiros agora presos na Lava Jato?
Se Lula mentir para Dilma e o PT, tudo bem, porque eles estão aí para isso mesmo. Se mentir para a Justiça, o Ministério Público e a Polícia Federal, está frito, porque essa gente não brinca em serviço. Mas ele pode falar a verdade? Como explicar o inexplicável?
É um problemaço, porque Dilma precisa saber, o instituto precisa ter o que dizer, o PT precisa ofender procuradores, policiais, juízes e jornalistas com algo mais do que adjetivos indignados, certo? É preciso substância tanto na defesa quanto no ataque. Até agora, necas. Lula reclama que Dilma não o defende com o empenho necessário, mas ela rebate com um argumento irrefutável: se nem ele sabe como se defender, que mágica ela pode fazer?
Na sexta-feira, o conselho do Instituto Lula se reuniu e Lula e Dilma trancaram as portas para mais uma conversa difícil. E a toda hora o PT oferece seus préstimos e generosos espaços para que Lula dê sua versão sobre as suspeitas das instituições brasileiras que desabam sobre ele, a mulher, os filhos. Lula, porém, está recolhido, sem encontrar uma narrativa minimamente convincente, inclusive para o distinto público eleitor e contribuinte.
Sem isso, a Polícia Federal, por exemplo, se prepara para a maior rebordosa. Assim como Lula lançou com inacreditável sucesso o bordão da "herança maldita" e a imagem da "elite branca de olhos azuis" para justificar todos os seus erros, a expectativa é de que eles todos passem a bombardear no imaginário popular que o juiz Sérgio Moro, o MP e a PF são "seletivos" e atuam em conluio com a oposição e com métodos da "Idade Média". É o marketing, ou a contrainformação.
Porém, uma coisa era Lula recém-eleito, surfando na espuma do "Fome Zero", ou Lula do alto de seus 80% de popularidade, com o País amortecido e acreditando em qualquer absurdo que ele dissesse. Outra é Lula agora, respondendo ao MP Federal, ao MP de São Paulo, à PF, a uma opinião pública massacrada pela indústria ladeira abaixo, o comércio fechando cem mil lojas, os trabalhadores perdendo milhões de empregos, o Brasil ameaçado de três anos consecutivos de recessão.
Dizer, Lula pode dizer o que quiser. Criar fantasmas, o PT pode criar à vontade. Tentar jogar a sociedade contra as instituições, pode ser. A questão é se há ambiente para tudo isso prosperar. O que todos esperam é que o maior líder popular da história recente do País tenha algo mais a mostrar do que marketing, jeitinhos, chicana de advogados, adjetivos e a sua velha e boa lábia. Os tempos, definitivamente, são outros.
http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,o-que-lula-tem-a-dizer,10000016198
quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
Laís Souza, uma história de superação diária
Dois anos
após acidente, Lais aprende a viver sobre rodas: "Consegui aceitar"
Ex-atleta se
adapta a "mundo de rodas" e se torna inspiração para cadeirantes:
"Meu objetivo é andar. Tem que ir no dia a dia e tentar não desistir. Tem
que ir lutando"
Por Fernando
Vidotto e Marcos Guerra
“Hoje eu
vejo o mundo de uma forma diferente de quando andava.” O mundo de Lais Souza
está bem diferente há exatamente dois anos. Ex-ginasta olímpica e
ex-esquiadora, ela não se pergunta mais: “por que comigo?” Não tenta achar
respostas para o que chama de destino. Até se sente confortável para recordar o
acidente em uma pista de esqui que a deixou tetraplégica, mas prefere olhar
para frente, prefere vislumbrar um milagre da medicina que a permita mexer os
braços e as pernas. Lais sonha andar novamente, só que sua nova vida, seu
“mundo de rodas”, não é feito apenas de fé, mas também da força de vontade de
quem se arrisca - e sem pensar duas vezes - em um tratamento experimental com
células-tronco, de quem encara a fisioterapia com a mesma garra de um treino,
de quem valoriza a mais sutil evolução. Uma vida de resiliência e superação
diária.
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| Video - Assistir em http://globoesporte.globo.com/olimpiadas-de-inverno/noticia/2016/01/dois-anos-apos-acidente-lais-aprende-viver-sobre-rodas-consegui-aceitar.html |
- O que eu
sonho hoje é que não estou na cadeira, que em algum momento a medicina vai
evoluir, que minha saúde vai melhorar. Eu procuro ser positiva, porque já é
difícil estar passando por essa situação e estar encarando isso. Então preciso
encarar de forma positiva, me motivando. Meu objetivo é andar, agora a
velocidade com que isso vai acontecer, não tenho como dizer. Tem que ir no dia
a dia e tentar não desistir, porque sei que é um problema que vai ser lento
para ser resolvido. Tem que ir indo e lutando. Vejo pessoas que estão na
cadeira e não fazem nada para sair, não saem de casa, não tentam fazer
diferente. Eu quero fazer diferente, quero voltar a andar, que seja mexer os
braços. É o mínimo que espero - contou a ex-ginasta e esquiadora.
Dois anos após acidente, Lais é símbolo da luta do tetraplégico (Foto: Marcos Ribolli)
Dois anos
depois do acidente, a luta diária de Lais Souza é cheia de brincadeiras, piadas
e sorrisos, só desfeitos para dar lugar à expressão de esforço nos exercícios
da fisioterapia. A tristeza por sua condição, de quem só consegue mexer a
cabeça e os ombros, raramente dá as caras. Lais não deixa, é forte. Treina como
uma atleta, mesmo que o estímulo seja passivo. Vai ao salão de beleza como
qualquer jovem de vaidosa de 27 anos. Passeia com amigos como todo mundo.
Trabalha dando palestras motivacionais, ainda que não chame isso de trabalho. Lais se adaptou ao “mundo de rodas”, à vida de cadeirante que o
GloboEsporte.com mostra em parceria com o SporTV - assista ao terceiro e último
episódio de série “Uma História de Superação Diária” nesta quarta-feira, no Tá
na Área.
Veja o 1º episódio da série "Uma História de Superação Diária"
Veja o 2º episódio da série "Uma História de Superação Diária"
Veja o 2º episódio da série "Uma História de Superação Diária"
1 - Aceitar e inspirar
Lais Souza
continua tão vaidosa quanto nos tempos de ginástica, mas já não se olha tanto
no espelho. É difícil se ver tetraplégica para uma pessoa que encantou o Brasil
com suas piruetas e que quase nada conhecia sobre o universo dos cadeirantes.
Pouco a pouco, a atleta foi aprendendo a viver nesta nova condição. Foi
percebendo que, com a ajuda da mãe Odete Vieira e do cuidador Willian Campi,
pode fazer praticamente tudo que fazia antes do acidente. Pode ter uma vida
feliz. Em agosto de 2015, Lais deu um passo importante em sua reabilitação, se
aceitou e registrou o momento nas redes sociais com uma frase comovente:
“Manter a cabeça erguida e aceitar”.
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| Desde o acidente, Lais Souza se olha menos no espelho (Foto: Marcos Ribolli) |
- Nesse dia,
fiquei parada na frente do espelho e olhei o meu corpo, o meu resto e foi essa
frase que quis escrever, que era um momento que estava aceitando o que eu
tinha, o que eu sou hoje. O problema é aceitar a forma que foi. Eu não tive
nada, nenhuma fratura, não quebrei um braço, não quebrei uma perna, nem uma
costela, nada. Simplesmente quebrei o pescoço. Tentar entender isso e aceitar é
o que é difícil. Foi o que passei no primeiro ano. Hoje já estou com uma cabeça
diferente, encarando de uma maneira diferente o meu problema. Já estou de um
jeito que consegui aceitar o meu problema. A ideia de pensar que eu poderia
estar morta é muito pior do que eu estar na cadeira, porque poderia estar
morta. Eu pelo menos estou aqui agora, estou próxima da minha família e tudo
mais. Agora para a morte ninguém dá jeito - disse a ex-atleta.
Com essa
postura de força, fé e determinação, Lais ganhou ainda mais fãs e assumiu uma
posição de símbolo de superação. Se no âmbito fisiológico a evolução se limitou
à sensibilidade de pés, barriga e costas - o que ela comemora muito -, no
âmbito social Lais colecionou vitórias: foi ao Rock in Rio, foi a baladas, foi
à praia, pegou carona em um carro da Stock Car e até surfou em uma prancha adaptada. Ela se reintegrou à sociedade.
- A maior
dificuldade hoje é que muita gente não sabe o que é ser cadeirante, como é
encarar isso. O que eu queria era quebrar esse paradigma, mostrar que a pessoa
que é cadeirante tem dificuldades, mas ela continua ali. São pessoas
inteligentes. Acontece com qualquer um.
Em seus
passeios, seja em Ribeirão Preto ou em São Paulo, Lais não raras vezes recebe o
carinho de fãs, inclusive cadeirantes, que se inspiram nela. Nas redes sociais,
o cenário é o mesmo. Ela, que usa o celular com uma espécie de caneta de
contato presa à boca, nem consegue responder todas as pessoas que buscam
informações sobre tratamentos, querendo seguir o mesmo caminho de reabilitação.
Tatuado no braço um símbolo da luta do tetraplégico para voltar a andar, Lais
se tornou porta-voz da causa.
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| Lais virou inspiração para cadeirantes (Fotos: Marcos Ribolli) |
2 - "Ser coitada? não!"
Para quem
não acompanha Lais Souza, seja no dia a dia ou nas redes sociais, parece até
natural sentir pena dela, afinal, uma jovem atleta que rodopiava no ar, tanto
na ginástica como no esqui, não pode fazer o que mais ama: voar. Só que ela não
se coloca nessa posição de fragilidade, pelo contrário, se mostra forte,
raramente chora por estar em uma cadeira de rodas.
- Ela não
desanima, não bate tristeza nela. Eu não vejo a Lais chorar, mesmo nessa
situação, porque ela é totalmente ativa. Vejo que ela é muito forte - disse
Willian Campi, cuidador e amigo.
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| Lais Souza se diz uma menina de sorte por ter suporte em seu tratamento (Foto: Marcos Ribolli) |
A ex-atleta
olha para frente, pronta para encarar tratamentos e exercícios de fisioterapia,
pronta para encarar a vida no que chama de “mundo de rodas”.
- Ninguém
gosta de ser coitado. O coitado é ruim, é fraco, não é positivo. Eu sou o
contrário disso, gosto de coisas que chocam, que são positivas, que é bom, não
gosto de ser para baixo. Ser coitada? Não! Não acho que tem de pensar: “Ah, ela
mereceu!” Não é assim. Aconteceu. Tem que viver a realidade, tem que viver o
momento e a situação pela qual está passando. O coitado não é ninguém, por isso
que eu não gosto.
Lais foge da
alcunha de coitada e até se diz uma menina de sorte. Não à toa. Seu acidente
causou tamanha comoção no Brasil, que ela conquistou uma série de privilégios
que outros brasileiros tetraplégicos não têm. Por ter representado o país desde
os 12 anos, a ex-ginasta recebe uma pensão especial e vitalícia do Governo
Federal no valor do teto da Previdência Social (Reajustado para R$ 5.189,82 a
partir deste mês). O Comitê Olímpico do Brasil (COB) e a Confederação
Brasileira de Desportos na Neve (CBDN) também a auxiliam financeiramente, além
da Universidade Estácio de Sá, para quem a ex-esquiadora dá palestras. Ela
conta com ajuda de uma empresa de roupa e da clínica Acreditando, onde faz o
tratamento de fisioterapia.
Lais ainda
recebe doações de anônimos e amigos famosos. O apresentador Luciano Huck a deu
um carro adaptado, que usa no Brasil. Astro do Barcelona e da seleção
brasileira, Neymar também dá uma ajuda importante para a ex-atleta. Lais se
divide entre Ribeirão Preto, sua cidade natal, e São Paulo, onde faz
fisioterapia e dá palestras. Quando está na capital paulista, ela se hospeda em
um apart hotel bancado por Neymar. Apesar de todo o suporte, o tratamento de
Lais é tão caro que ela ainda depende das doações na campanha “Eu Apoio a
Lais”.
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| Neymar banca o apart hotel em que a amiga Lais mora em São Paulo (Foto: Marcio Iannacca) |
3 - Vida de atleta
Com seu
esforço, faz jus a todo o suporte que recebe, seja o financeiro, seja o
incentivo de fãs. Mesmo em dias que sua pressão está mais baixa - fato normal
na sua condição -, ela não se deixa abater e vai à fisioterapia - sempre
cantando e com som alto no carro para animar. São cinco sessões semanais de
três horas cada uma. Uma rotina puxada, digna de um atleta, tanto que Lais e as
fisioterapeutas da clínica chamam os exercícios de treino.
- Não mudou
muito meu dia a dia, porque eu vou para o treino e faço algum tipo de trabalho,
ou alguma tarefa. Meu dia a dia parece de quando era atleta. Hoje dedico três
horas do meu dia à fisioterapia e parece que corri uma maratona. Eu fico bem
cansada. Minha saúde é mais sensível. Basicamente eu fico de olho na minha
saúde, vou ao treino e ao mesmo tempo tenho que trabalhar, porque vida de
cadeirante não é barata.
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| Lais Souza se esforça nos treinos (Foto: Marcos Ribolli) |
O treino é
composto por terapias baseadas em atividades, que buscam promover a recuperação
do movimento e da sensibilidade que ela perdeu através de exercícios intensos.
Elásticos, cordas e principalmente os fisioterapeutas ajudam na movimentação de
braços e pernas. Ela, inclusive, anda em uma esteira ergométrica. O estímulo é
passivo, mas o resultado é um real trabalho aeróbico. A frequência cardíaca
chega a aumentar de 45 batimentos por minutos para 90 - a frequência cardíaca
de um tetraplégico costuma ser menor do que o de um adulto saudável.
Lais Souza anda em esteira, com a ajuda de profissionais de educação física e cabos (Foto: Marcos Ribolli)
- É como se
estivesse andando mesmo. As meninas sempre perguntam o que eu estou sentindo,
como é que está meu batimento. Eu procuro reparar: sinto bastante meu pé bater
no chão, sinto um pouco de pressão no meu quadril. Conforme elas vão mexendo
minha perna, eu procuro movimentar o meu corpo, para ajudar e ver se alguma
coisa entra em ação, se ativa. Para o cérebro, essa ligação de ficar tentando
mostrar com o movimento do corpo que tem alguma coisa ali é muito boa. Você
acaba mandando um sinal do corpo para o cérebro e vice-versa para que em algum
momento os fiozinhos liguem lá de novo.
O trabalho
de fisioterapia complementa o tratamento experimental com células-tronco. Lais
já fez três aplicações e espera ser chamada pelo projeto de Miami ainda neste
início de ano para mais uma bateria de exames e uma nova aplicação de
células-tronco.
o mundo em
um novo ritmo
4 - O mundo em um novo ritmo
Fora da
fisio, a vida é mais tranquila, segue um ritual. Tomar café na cama, remédios,
banho -quase sempre com música -, escovar os dentes, escolher uma roupa. E lá
se vai a manhã inteira. Lais depende da mãe Odete e do cuidador Willian para
fazer tudo, e as pequenas ações do dia a dia ganham um novo ritmo, uma cadência
mais lenta como pede os cuidados com uma pessoa de saúde sensível como uma
tetraplégica. Por exemplo, um bom banho, que durava quase uma hora, agora leva
mais de duas horas.
- Eu sinto
muita falta de tomar banho sozinha, eu mesma lavar meus cabelos, eu mesma
escovar meus dentes. São pequenos detalhes que fazem toda a diferença. Hoje a
gente já se acostumou. O Willian me dá banho, ele já sabe como eu quero escovar
os dentes, como eu gosto, como gosto de deixar meu cabelo, roupa e tudo isso
assim. Mas no começo foi bem chato, foi bem difícil adaptar e aprender, mas deu
certo.
Lais saiu
das casas dos pais ainda menina, com dez anos, para se dedicar à ginástica e,
com isso, se tornou muito independente. Não foi fácil precisar de ajuda para as
mais corriqueiras atividades. Hoje ela aceita sua condição, embora às vezes
prefira assoprar ou usar os ombros para tirar uma mecha de cabelo. Não quer
chamar a mãe ou o cuidador o tempo todo. Para quê incomodá-los de dois em dois
segundos?
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| Lais Souza vai ao salão de beleza e mantém rotina como a de qualquer jovem de 27 anos (Fotos: Marcos Ribolli) |
- Com
certeza minha paciência mudou. Eu era muito independente. Morava sozinha, tinha
meu carro, tinha meu dinheiro. Comprava o que eu queria na hora que queria.
Hoje dependo das pessoas para me mexer, para tomar banho, para tudo mais. Por
isso eu tive de acabar aprendendo a ter essa paciência a mais, a passar o que
eu quero, a me expressar direito para que dê certo.
Mais
paciente e serena, Lais fala manso. Às vezes nem precisa abrir a boca para o
cuidador Willian ou a mãe Odete entenderem o que ela precisa, tamanha a
cumplicidade entre eles. Os dois sabem o que ela quer comer - e agora que não é
atleta, tem uma dieta sem regras, pode comer de tudo, embora o estômago
sensível só aceite pequenas porções. Até a moda dela mudou. Como não consegue
controlar a temperatura do corpo, Lais sente muito frio. Nada que um casaco
aconchegante não dê jeito. Tudo se adapta para o “mundo de rodas”, mesmo o
sono, que tem de ser interrompido de duas em duas horas para mudar a posição do
corpo e, assim, evitar feridas.
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| Lais Souza muda estilo por sentir frio, mas mantém passeios com amigos, como Ingrid Messias (Foto: Marcos Ribolli) |
5 - Anjos da guarda
Para tudo o
que a jovem precisa, dois anjos de guarda se revezam e a amparam. A mãe, Odete
Vieira, largou o emprego em uma fábrica de sapatos para se entregar à filha. Ao
contrário de Lais, Odete ainda se pergunta quase todos os dias: “Por que com a
gente?” Às vezes ela chora, mas não na frente da filha. Precisa ser forte para Lais,
mantém a esperança de vê-la andar novamente.
- Ver um
filho seu a vida toda andando e de repente ele estar na cadeira de rodas é
complicado, mas não é um bicho de sete cabeças. Estamos tentando nos adaptar,
tentando nos acostumar. Tenho os meus momentos de tristeza sim, em que imagino
que não vou dar conta. Não posso ficar pensando muito e viver o que está
acontecendo hoje, amanhã é outro dia. Eu penso dessa forma para não
enlouquecer, porque se vai pensar em todas as dificuldades, você cai em
depressão, você enlouquece. A esperança é a última que morre, né? Eu tenho
muita esperança de ver minha filha andando ainda. Ela não é uma pessoa enferma,
não é doente, só está tetraplégica. Acho que uma hora dessas, as coisas vão
voltar, e ela vai caminhar - disse Odete.
Positivas
como são, mãe e filha até encontram um lado bom da situação em que estão: agora
podem se conhecer melhor. Com a rotina de treinos e viagens para competições,
Lais pouco parava em casa, em Ribeirão Preto. Agora as duas raramente se
separam.
- Sempre nos
demos muito bem. O bom disso tudo é que estamos muito juntas. Tenho mais tempo
de conhecer minha filha, de dar carinho para ela. A mesma coisa para ela, de se
adaptar à família, porque saiu de casa muito cedo e acostumou. Acho que era uma
coisa que devia estar faltando e Deus disse: “Para, vocês precisam ficar mais
juntas.” - destacou Odete.
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| Cuidador Willian Campi e a mãe Odete Vieira são os anjos da guarda de Lais Souza (Fotos: Marcos Ribolli) |
Se a mãe não
está por perto, pode ter certeza que um segundo anjo da guarda está: Willian
Campi. Há 11 meses, o cuidador de 26 anos entrou na vida da ex-atleta, e a
relação dos dois vai muito além do trabalho. Willian é o movimento de Lais, é
conselheiro e confidente também.
- Virou um
irmão, um amigo, um pai, virou tudo. Eu basicamente acho que ele me deu a minha
vida de volta. Ele é jovem, ele me entende. Se eu estou com algum problema, se
eu quero fazer alguma coisa, eu só o chamo, eu o olho, ele já sabe o que quero.
Ele deu asas à Lais Souza, que está com aquele probleminha, e se Deus quiser
vai passar logo. Ele me deu pernas, me deu braços. Às vezes eu dou uns ataques,
e ele está lá, firme e forte - disse Lais.
amigo, estou
aqui!
6 - Amigo, estou aqui!
Com um anjo
da guarda também jovem como Willian, Lais se sentiu mais livre para ganhar o
mundo. O amigo-irmão a leva para passear e encontrar outros amigos,
principalmente em restaurantes e cinemas, mas até para baladas os dois vão.
- Não
consegue dançar em uma balada, mas consegue ir e curtir de outra forma, vai ao
teatro, vai ao cinema. Ela não vai ficar afastada por que está na cadeira. Ela
é igual - disse Denise Lessio, fisioterapeuta e amiga de Lais, que acompanhou o
início do tratamento, nos Estados Unidos.
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| Lais está sempre cercada por amigas como Ingrid Messias, Denise Lessio e Daiane dos Santos (Foto: Marcos Ribolli) |
A vida
social é como a de qualquer jovem de 27 anos, chegou a namorar depois do
acidente, mas o relacionamento não seguiu em frente. A ex-atleta está sempre
cercada por amigos, a maioria da época da ginástica, como Ingrid Messias, que
hoje é atleta do salto com vara. As duas se visitam frequentemente. Daiane dos
Santos não consegue se manter tão perto de Lais por causa de seu trabalho como
comentarista do Time de Ouro da TV Globo, mas também está sempre em contato,
nem que seja por mensagens no celular.
- A Lais é
muito carinhosa, adora beijo e abraço. Ela gostava muito de abraçar antes, e eu
não gostava. Agora ela me pede: “Me dá um abraço, Daiane”. É uma amizade bem
alegre. Esse jeitinho Lais de ser não mudou. É carismática, piadista. Até mesmo
com a sua condição ela faz piada. Às vezes até assusta: “Nossa, ela está
brincando com isso? É um assunto tão sério.” Eu acho legal esse jeito, porque
ajuda a deixar mais leve essa situação - contou Daiane.
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| Lais Souza é muito carinhosa com amigos (Foto: Marcos Ribolli) |
O mesmo
jeito alegre e positivo com as amigas é o que Lais tenta mostrar em suas
palestras motivacionais. Ela não consegue estar sempre trabalhando, a
prioridade é cuidar do corpo, mas encanta e inspira quando palestra.
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| Lais Souza trabalha com palestras motivacionais (Foto: Reprodução/Facebook) |
- Eu
normalmente quando vou pensar em uma palestra, ou em um bate-papo com alguém,
fico pensando no que as pessoas querem ouvir de mim, no que é importante eu
falar. São muitas coisas que eu junto e acabo fazendo de uma forma que eu possa
me adaptar àquela situação, se é uma empresa ou uma escola. Eu nem chamo de
trabalho. É saudável, é gostoso. É o que eu tento fazer para ajudar mesmo.
Ela pensa em
voltar ao esporte, está para conhecer a bocha adaptada e também considera jogar
pôquer, canoagem e mesmo esqui adaptado. A paixão de sua vida, a ginástica artística,
ela continua acompanhando de perto e pretende estar na arquibancada dos Jogos
Olímpicos do Rio de Janeiro para transmitir aos amigos um pouco da força e da
esperança que carrega em sua rotina de superação.
- Teve um
tempo que eu falei que tinha como meta entrar andando nas Olimpíadas. É um
sonho ainda distante, mas quem sabe até lá acontece.
*
Colaboraram Erica Hideshima e Tiago Maranhão, do SporTV
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| Lais Souza mantém esperança de voltar a andar (Foto: Marcos Ribolli) |
sábado, 23 de janeiro de 2016
PT se 'autoassassinou' e governo está em fase terminal, diz ex-ministro de Lula
Adriano Brito - @adrianobrito
Da BBC Brasil em São PauloHá pouco mais de dez anos, o senador Cristovam Buarque deixou o PT após uma série de desgastes que levaram à sua demissão, por telefone, do cargo de ministro da Educação e no embalo da eclosão do escândalo do mensalão - ele foi um dos integrantes que não concordaram com a resposta dada pelo partido e pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva às irregularidades reveladas à época.
Hoje, ensaia um novo desembarque, desta vez do PDT, que, nas palavras de Cristovam, "não existe" como partido, pois virou um "puxadinho do PT" controlado pelo ex-ministro Carlos Lupi que já colocou como candidato à próxima corrida presidencial um nome escolhido por Lula - Ciro Gomes - para "preencher o vazio" caso o petismo não se recupere a tempo de 2018.
Segundo o senador, "o PT se autoassassinou" ao desconsiderar a meritocracia na nomeação de cargos e não pensar um projeto de longo prazo para o país.
Diz ainda que o "fracasso" da gestão Dilma Rousseff se deve principalmente a erros cometidos pela presidente em seu governo, que está em "fase terminal".
Aos 71 anos, o ex-governador do Distrito Federal e ex-reitor da UnB (Universidade de Brasília) defende, porém, que se pense menos no resultado do pedido de impeachment da presidente, e mais em que governo o país terá após o processo - com ou sem Dilma.
Confira trechos da entrevista à BBC Brasil, feita por telefone.
Segundo o senador, "o PT se autoassassinou" ao desconsiderar a meritocracia na nomeação de cargos e não pensar um projeto de longo prazo para o país.
Diz ainda que o "fracasso" da gestão Dilma Rousseff se deve principalmente a erros cometidos pela presidente em seu governo, que está em "fase terminal".
Aos 71 anos, o ex-governador do Distrito Federal e ex-reitor da UnB (Universidade de Brasília) defende, porém, que se pense menos no resultado do pedido de impeachment da presidente, e mais em que governo o país terá após o processo - com ou sem Dilma.
Confira trechos da entrevista à BBC Brasil, feita por telefone.

BBC Brasil - A ex-senadora Marina Silva defendeu ao jornal "Folha de S.Paulo" que se agilize o processo contra a presidente Dilma Rousseff no TSE (Dilma e seu vice, Michel Temer, podem ter o mandato cassado se o Tribunal Superior Eleitoral entender que a chapa cometeu irregularidades na campanha), em detrimento ao pedido de impeachment em curso no Congresso. Como vê isso?
Cristovam Buarque - Para mim, o importante não é saber como isso termina, mas como começa o próximo momento. O chamado day after (dia seguinte). Acho que lamentavelmente a Marina não trabalha com o day after. Estou menos preocupado com se isso vai terminar com a continuação da Dilma, o impeachment ou a cassação.
Teremos o dia seguinte com o Temer em um governo de unidade nacional? Ou com a Dilma, com um governo de coalizão nacional? Se houver a cassação, a eleição em 90 dias vai permitir a construção dessa coalizão com um projeto alternativo? Essa é a minha preocupação.
Qual seria o cenário ideal?
Hoje, e nós dissemos isso a ela em agosto, a melhor alternativa seria a Dilma, mas com um governo que não fosse da Dilma. Ela sendo a "Itamar" dela própria. No que consiste isso: ela dizer que não é mais do PT, nem de qualquer outro partido, a não ser do "Partido do Brasil".
Dizer que precisa da oposição e de todos para governar, compor um ministério de unidade e com um programa de unidade, no qual a estabilidade monetária seja objetivo imediato, desde que não sacrifique conquistas sociais nem investimentos em infraestrutura. Definindo quem vai se sacrificar para que o Brasil seja reorientado e como vamos atravessar os três anos até a próxima eleição.
Seria a continuidade do governo Dilma sem Dilma, uma espécie de presidente sem ser chefe de governo, com um "primeiro-ministro" - entre aspas, não precisa de parlamentarismo para isso. O Itamar (Franco, ex-presidente) conseguiu: o Fernando Henrique (Cardoso) foi o primeiro-ministro. Isso seria o ideal.
Mas não vejo na Dilma condições para isso. Tanto que nós, um grupo de senadores, fomos até ela em agosto, levamos um documento, propusemos isso, dissemos que estávamos dispostos a apoiá-la. Ela ouviu com seriedade, carinho, nos dedicou muito tempo, mas não aconteceu nada. Perdeu a chance.
Na sua visão, por que o governo chegou a esse ponto? Quem tem mais culpa, Dilma ou o PT?
Acho que a grande culpa é do PT.
Teremos o dia seguinte com o Temer em um governo de unidade nacional? Ou com a Dilma, com um governo de coalizão nacional? Se houver a cassação, a eleição em 90 dias vai permitir a construção dessa coalizão com um projeto alternativo? Essa é a minha preocupação.
Qual seria o cenário ideal?
Hoje, e nós dissemos isso a ela em agosto, a melhor alternativa seria a Dilma, mas com um governo que não fosse da Dilma. Ela sendo a "Itamar" dela própria. No que consiste isso: ela dizer que não é mais do PT, nem de qualquer outro partido, a não ser do "Partido do Brasil".
Dizer que precisa da oposição e de todos para governar, compor um ministério de unidade e com um programa de unidade, no qual a estabilidade monetária seja objetivo imediato, desde que não sacrifique conquistas sociais nem investimentos em infraestrutura. Definindo quem vai se sacrificar para que o Brasil seja reorientado e como vamos atravessar os três anos até a próxima eleição.
Seria a continuidade do governo Dilma sem Dilma, uma espécie de presidente sem ser chefe de governo, com um "primeiro-ministro" - entre aspas, não precisa de parlamentarismo para isso. O Itamar (Franco, ex-presidente) conseguiu: o Fernando Henrique (Cardoso) foi o primeiro-ministro. Isso seria o ideal.
Mas não vejo na Dilma condições para isso. Tanto que nós, um grupo de senadores, fomos até ela em agosto, levamos um documento, propusemos isso, dissemos que estávamos dispostos a apoiá-la. Ela ouviu com seriedade, carinho, nos dedicou muito tempo, mas não aconteceu nada. Perdeu a chance.
Na sua visão, por que o governo chegou a esse ponto? Quem tem mais culpa, Dilma ou o PT?
Acho que a grande culpa é do PT.
O PT se autoassassinou. Há uma diferença entre autoassassinato e suicídio: suicídio é um gesto consciente, em que existe até uma dignidade; o autoassassinato nem é consciente nem carrega dignidade.
O PT se autoassassinou por recusar o mérito nos seus dirigentes: nomeava ministro, vice-ministro, subministro, diretores apenas por interesses imediatistas, corporativos. Se autoassassinou por não pensar o médio e longo prazo do Brasil, por ficar prisioneiro da próxima eleição, por abrir mão das reformas necessárias que poderia ter feito, sobretudo com a grande liderança que era Lula.
Agora, a Dilma colaborou. Ela poderia ter se "independizado" do PT, mas continuou dependente dele, e com isso destruiu seu governo.
Como vê o papel do seu partido, o PDT, na base aliada?
O PDT, como partido, não existe: é uma associação, um clube de militantes sob o comando absoluto do Carlos Lupi.
Em 2007, ele assumiu o Ministério do Trabalho. De lá para cá, continua sempre junto ao governo em troca de ministério e isso destruiu o PDT como partido, fez dele o que o Pedro Taques (ex-senador e atual governador do Mato Grosso) chamava de "puxadinho do PT".
E a situação é essa, ao ponto de hoje ele ter colocado um candidato a presidente escolhido pelo Lula, o Ciro Gomes, cujo papel é preencher o vazio que haverá se o PT e o Lula não se recuperarem do impacto.
Do impacto da Operação Lava Jato?
Da Lava Jato e do fracasso do governo Dilma. E é um erro achar que esse fracasso decorre da Lava Jato. Do ponto de vista ético, sim, mas também dos erros que ela cometeu na condução do governo.
Se fosse a Lava Jato sem inflação, com a economia crescendo, seria diferente: apenas o PT carregaria o problema. Mas temos recessão, inflação, infraestrutura desorganizada, crise de gestão. O problema é a soma com a crise socioeconômica.
E o PDT optou equivocadamente, e digo isso desde 2007, em vez de ser uma alternativa para o Brasil, por ser coadjuvante de um partido e de um governo em fase terminal.
O que o manteve no PDT até hoje, então?
Primeiro porque sair de um partido é algo muito dolorido, complicado. E você sempre fica acreditando que ele pode mudar.
E segundo, porque essa é uma crise geral dos partidos.
É como se não houvesse para onde ir?
É isso. Não é só o PDT. O PDT perdeu a vergonha, mas os outros não demonstram ainda o vigor transformador.
Creio que um partido precisa de duas coisas: vergonha, do ponto de vista ético, e vigor transformador, do ponto de vista político. A gente sente que muitos têm vergonha na cara, mas fica se perguntando se têm esse vigor.
Além disso, é importante dizer com clareza: há três anos o Carlos Lupi diz que vai sair do governo no mês seguinte. Reunia a nós senadores e dizia: "no próximo mês nós estamos fora do governo". Passava o mês, a gente esperava, ele nos reunia e dizia a mesma coisa. Não vou negar que cometi o erro de ficar esperando por esse mês seguinte.

A imprensa dá como certo que o senhor vai para o PPS, que o convite já foi feito.
O convite foi realizado pelo meu velho amigo Roberto Freire, que é meu companheiro desde a política estudantil em Pernambuco, ainda nos anos 60. Mas não vou tomar essa decisão em um período de recesso, antes de conversar com meus colegas do PDT do Distrito Federal e ouvir diferentes forças ligadas a mim.
Mas houve o convite, e eu não disse não.
É isso. Não é só o PDT. O PDT perdeu a vergonha, mas os outros não demonstram ainda o vigor transformador.
Creio que um partido precisa de duas coisas: vergonha, do ponto de vista ético, e vigor transformador, do ponto de vista político. A gente sente que muitos têm vergonha na cara, mas fica se perguntando se têm esse vigor.
Além disso, é importante dizer com clareza: há três anos o Carlos Lupi diz que vai sair do governo no mês seguinte. Reunia a nós senadores e dizia: "no próximo mês nós estamos fora do governo". Passava o mês, a gente esperava, ele nos reunia e dizia a mesma coisa. Não vou negar que cometi o erro de ficar esperando por esse mês seguinte.

A imprensa dá como certo que o senhor vai para o PPS, que o convite já foi feito.
O convite foi realizado pelo meu velho amigo Roberto Freire, que é meu companheiro desde a política estudantil em Pernambuco, ainda nos anos 60. Mas não vou tomar essa decisão em um período de recesso, antes de conversar com meus colegas do PDT do Distrito Federal e ouvir diferentes forças ligadas a mim.
Mas houve o convite, e eu não disse não.
O senhor foi procurado por outros partidos?
Outros partidos me procuraram, mas a sintonia com o PPS é maior.
Está em seus planos se candidatar à Presidência em 2018?
Quando conversei com o Roberto Freire, ele falou nisso. Mas deixei claro: não vou para o PPS exigindo ser candidato à Presidência, e nem com o compromisso de ser candidato se o PPS quiser. Não será por essa razão (a eventual mudança).
Até porque... Eu disse a ele que, na idade da gente, antes de tomar uma decisão tão ousada como ser candidato a presidente, precisamos pensar se já não é hora de começar a pensar mais na memória do que já fez do que na aventura do que vai fazer.
O senhor tem um histórico ligado aos chamados partidos de esquerda. Indo para o PPS, migraria para uma sigla que, para muitos, está mais à direita e é criticada como uma espécie de satélite do PSDB. Seus eleitores não estranhariam esse movimento?
Diferencio a palavra partido da palavra sigla. Não mudo de partido. Já mudei de sigla: era PT, virei PDT, mas sem mudar de partido. Se sair do PDT, e for para outra sigla, não mudarei de partido. Meu partido é de que a gente precisa transformar a sociedade brasileira, e isso exige uma revolução. E o elemento fundamental dessa revolução é garantir escola de qualidade para todos, por o filho do trabalhador na mesma escola do filho do patrão, entre outros aspectos.
Agora, a sigla PPS vem do Partido Comunista. Você pode dizer que o Roberto Freire esteve ao lado de gente do PSDB, mas você não pode dizer que ele e os militantes do PPS são conservadores e de direita.
Continuo dividindo a política entre direita e esquerda. Mas não divido por sigla, e sim por compromissos. Para mim, compactuar com corrupção é coisa de direitista. Mesmo que seja do PT, do PC do B.
O PT vai sobreviver a essa crise?
Veja bem, sobreviver, vai. Mas vai sobreviver cambaleante. E a pergunta para a qual eu gostaria de ter uma resposta é sobre o que virá depois desse período em que o PT vai cambalear.
Vai cambalear para o lado dos corruptos, dos acomodados socialmente? Ou vai cambalear para o lado dos éticos e dos revolucionários? Isso não dá para saber.
A Câmara e o Senado são comandadas por parlamentares implicados na Lava Jato. Como isso influencia o funcionamento do Congresso neste ano?
Se continuar nesse ritmo, o impeachment será um tema para todos, não só para a Dilma. E poderá vir, sim, o povo na rua pedindo eleição geral, para todos os cargos. Porque não é só a Dilma que está sob suspeição. Todos nós, que temos mandato, estamos.
Há os "Cunhas" da vida, os outros, mas também os que não aparecem. Somos hoje um Parlamento sob suspeição, e nenhum de nós, portanto estou no meio, está fora da suspeição, da dúvida, do questionamento da população.
Temo que, se não formos capazes de cassar logo os corruptos conhecidos, vamos cair num processo de reação tão forte da população que teremos de fazer uma eleição geral para todos.
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