quinta-feira, 18 de abril de 2019

“Jornalista Cecilia Thompson morre aos 82 anos em São Paulo”

Eu amei Cecilia.
E meu coração está em pedaços por sua morte.
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A jornalista Cecilia Thompson na redação do Estado em outubro de 1992
Foto: Milton Michida / ESTADÃO

Ela trabalhou no 'Estado' entre 1975 e 2008, foi tradutora, repórter e esteve à frente, nos últimos anos, das colunas 'São Paulo Reclama' e 'Seus Direitos'

Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo
18 de abril de 2019 | 15h42

A jornalista Cecilia Thompson morreu no início da manhã desta quinta-feira, 18, aos 82 anos. Ela trabalhou no Estado entre 1975 e 2008 e nos últimos anos esteve à frente de colunas como “São Paulo Reclama” e “Seus Direitos”.
Cecilia foi casada com o ator Gianfrancesco Guarnieri (de 1958 a 1965), que conheceu no Teatro Arena. Com ele teve os filhos Flávio (que morreu em 2016) e Paulo Guarnieri, também atores. 
Além de jornalista, ela foi escritora, tradutora e atriz. Participou, além do Arena, também do teatro Oficina. Com Guarnieri participou do filme O Grande Momento, de 1958. Militante de esquerda durante a ditadura militar, chegou a ser presa e torturada. Nesta quinta, morreu em decorrência de mielodisplasia, uma doença no sangue que provoca anemia.
Para Cecilia, o jornalismo era a “melhor profissão do mundo”, como gostava de dizer aos “focas” – como são chamados os novatos no jargão da área – no Curso Estado de Jornalismo. Ela também sempre deixava uma mensagem importante para eles: “Não se esqueçam de se indignar aos menos uma vez por dia”, citando o jornalista Cláudio Abramo.
O repórter especial do Estado José Maria Mayrink, contemporâneo de Cecilia desde o início da carreira – ele entrou no jornal em 77 e ela, em 75 –, afirma que ela teve duas paixões na sua vida: Gianfrancesco Guarnieri e o Estadão. “Eles se separaram, ele teve outra família, mas ela teve uma paixão por ele até morrer”, conta.
Mayrink entrou no jornal como editor de internacional, sendo, portanto, chefe de Cecilia. “Ela era uma excelente tradutora. Conhecia muito de História, entrava no espírito do texto e o adaptava”, afirma.
As habilidades como tradutora também foram destacadas pela jornalista Márcia Glogowski, ex-editora de Cidades do Estado. As duas trabalharam juntas entre 1976 e 2006 e continuaram amigas desde então. “Ela não fazia uma mera tradução, mas um texto novo em português que queria dizer a mesma coisa que o texto original”, diz.
Roberto Gazzi, que também foi editor de Cidades e editor executivo do Estado, lembra que o projeto da coluna São Paulo Reclama, que Cecilia concebeu do zero, era conduzido por ela com dedicação. "Era como se fosse um filho dela. Ela cuidava com muita energia. E dali sugiram várias denúncias, a coluna gerou várias pautas que viraram matéria no jornal".
"Ela estava sempre presente, sempre ajudava todo mundo e sempre, com muita paixão, acompanhava as notícias. Nos grandes momentos, era sempre uma das primeiras a aparecer", complementa.
Para Gazzi, "Cecilia foi uma das maiores alegrias da redação" e uma grande contadora de histórias.  Grace Cruz, que foi pauteira de Cidades, define de um modo ainda mais amplo: "Ela sempre soube tudo".
O jornalista Jotabê Medeiros, que foi colega de Cecília no Estado, contou em sua página no Facebook que, quando ela deixou o jornal, em 2008, ele pensou: “Um personagem desse tamanho, Jesus, não pode... Algo tem que ser feito”. Ele, então, resolveu escrever um texto sobre o último dia dela na redação e perguntou se ela podia ler antes de ele publicar. “Depois que enviei o texto pronto a ela, Cecília ficou sem ação por um tempo. Entreguei a Deus: ‘Se ela não quer... Adeus, texto!’”, ele recorda. “Pouco depois, ela me ligou: ‘Publique-se!’, sentenciou.”
Jotabê compartilhou nesta quinta o texto que publicou naquele 12 de setembro de 2008. “Muitos crêem que Cecilia inventa a maioria das histórias que conta, inclusive eu. Sou sincero: é muito protagonismo para ser tudo verdade”, começava ele. 
“Mas um dia eu caí do cavalo: ela me contou que tinha dado uma canção para Jorge Mautner, Sapo Cururu, e eu duvidei. Um dia, fui cobrir um show de Mautner no CEU Cidade AE Carvalho, durante a Virada Cultural, e ele tocou Sapo Cururu. Quando terminou, Jorge disse: ‘Essa música quem me apresentou foi a Cecilia G. em 1959’”, contou.
No texto, Jotabê lembrava grandes acontecimentos da história do País e do próprio jornal que Cecilia testemunhou: “Estava no jornal no dia da mudança da Rua Major Quedinho para o bairro do Limão. Estava na redação quando saiu o famigerado Pacote de Abril do ditador Geisel. Trinta e quatro anos. É uma vida inteira.”
O escritor lembra também que ela iniciou sua carreira no jornal como tradutora da editoria de internacional, fazendo traduções de inglês, italiano, espanhol e francês. “Eu não traduzia, já fazia textos jornalísticos ‘no tamanho’, e, modéstia à parte, era tão boa que fiquei nisso uns anos, até me deixarem escrever ‘de verdade’”, dizia ela, segundo Jotabê.

Estripulias

Cecilia também era conhecida pela irreverência e estripulias na redação. O jornalista Alberto Villas, que conheceu Cecilia logo que ele começou a trabalhar no Estado, em abril de 1980, também fez um relato sobre a amiga no Facebook junto a uma foto dela no meio da redação, deitada no chão, com o quadril e as pernas pra cima.
“Não existia outra Cecilia Thompson. Durante todos esses anos, injetávamos jornalismo na nossa veia e não parávamos mais de falar. Ela me mostrava os seus diários que nunca parou de escrever e que hoje são um tesouro.”
Ele conta que guarda da amiga o folheto original da primeira apresentação de Eles Não usam Black Tie, talvez a mais importante obra de Guarnieri, e coleção completa da revista Bondinho – “me deu de presente recentemente, sabendo que já estava indo embora”.
De acordo com a família, o velório e cremação serão nesta quinta, na Vila Alpina, por volta das 16h. Cecilia deixa um filho, quatro netos, uma irmã e quatro sobrinhos.
https://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,jornalista-cecilia-thompson-morre-aos-82-anos,70002796234

sábado, 13 de abril de 2019

"Ativista liberal critica mistura de política e religião por Jair Bolsonaro"


A ativista liberal guatemalteca Gloria Álvarez - Karime Xavier/Folhapress

Escritora guatemalteca Gloria Álvarez propõe capitalizar a Previdência, cortar gastos e legalizar drogas e aborto

13.abr.2019 às 2h00
Fábio Zanini
São Paulo

A escritora e ativista liberal guatemalteca Gloria Álvarez queria ser candidata à Presidência de seu país na eleição em junho, mas esbarrou na Constituição: ela tem 34 anos, e a idade mínima para o cargo é 40 anos.
Lançou então uma candidatura “alternativa” nas redes sociais, em que propõe imposto único, redução do número de ministérios de 14 para 4, sistema de vouchers para educação e a capitalização da Previdência. Ela também defende a legalização das drogas, do aborto, da prostituição e da venda de órgãos.
Filha de pai cubano exilado após a revolução comunista, Álvarez ficou conhecida em 2015, quando seu vídeo de uma palestra na Espanha atacando o populismo latino-americano se espalhou pela internet.
Veio ao Brasil para o lançamento de seu livro “O Embuste Populista” (editora LVM, 320 páginas, R$ 59,90) e eventos com grupos liberais.
Em conversa com a Folha, distribuiu petardos contra a direita, a esquerda, as feministas e a mistura de política e religião no governo do presidente Jair Bolsonaro
Candidatura 
 É uma candidatura libertária e inconstitucional [risos]. Proponho descentralização, “flat tax” [imposto único], redução de 14 para 4 ministérios, destinação de 50% do orçamento para segurança e justiça, vouchers para a educação e pensões individuais. 
E coloco dez pontos para que a população escolha cinco: legalização da maconha, da cocaína, do aborto e da prostituição, casamento de pessoas do mesmo sexo, adoção homoparental, permissão da eutanásia e da venda de órgãos, eliminação de voto em listas partidárias e fim do controle alfandegário.
Estado Mínimo
A população mais pobre da Guatemala está acostumada a que o Estado não exista. Se você vai a um hospital público, pode morrer, então recorre a organizações de caridade privadas. Assim, é mais fácil aceitarem o Estado mínimo do que é para argentinos ou espanhóis, por exemplo.
Direita
Ao governar, nos anos 1990, a direita não favoreceu o livre mercado. Houve privatizações e abertura, mas foram beneficiados os que estavam mais próximos dos presidentes. A direita é uma coisa em teoria e outra na prática. Na prática, sacrificaram a verdadeira liberdade econômica. Quando isso acontece, as pessoas se voltam ao socialismo. [Hugo] Chávez, [Evo] Morales surgem em reação a essa elite oligárquica protegida do livre mercado.
Bolsonaro
Não gosto de quem mescla religião com política. Para os políticos latino-americanos, nunca falta Deus no discurso. Espero que Bolsonaro não tenha medo de ser liberal. Muitas vezes candidatos são eleitos com discurso de baixar impostos, liberar o mercado e, no poder, se preocupam que os eleitores vão se incomodar. Concretamente, o que o governo já fez? O que já reduziu? 
Claro que os presidentes não são o mago Merlin, com uma varinha mágica. Mas no caso da Previdência, por exemplo, o que mudaria de verdade é a capitalização. Se conseguirem, ótimo. Senão, está colocando um curativozinho num câncer terminal. Eu tinha esperança de que [Maurício] Macri [presidente da Argentina] fizesse um contraponto à  esquerda na América Latina, mas isso não ocorreu, e esse posto está vago. Talvez Bolsonaro tenha aí um nicho de oportunidade.
O que se deve fazer é estrangular a ditadura diplomática e economicamente. Os países deveriam expulsar as embaixadas venezuelanas. E baixar decretos para que os venezuelanos possam trabalhar, num processo expresso de migração. E também deixar de comprar petróleo, porque uma ditadura aguenta enquanto tem dinheiro.
Populismo 
É como uma árvore cheia de maçãs. Cada populista arma seu combo, com suas próprias maçãs. Na árvore do populismo, há várias coisas que são chave. Uma é dividir a sociedade com ódio, seja entre ricos e pobres, ou militares e comunistas; outra é prometer coisas que não obedecem a nenhuma lógica econômica, como crescer 15% ao ano.
A maçã econômica é usada mais pelos populistas de esquerda; a direita usa a maçã do nacionalismo.
Feminismo
Eu me considero uma individualista. O feminismo é marxista. A ironia é que feministas dizem que não gostam do patriarcado, mas são súditas do pior pai, o papai governo.
A esquerda se reinventou, não fala mais de expropriações ou controle de preços, se disfarçou de ecologistas, defensores de direitos de gays, feministas. Quando sou insultada, acham normal, porque sou mulher, mas não sou mulher marxista. E apenas as mulheres marxistas merecem respeito.
RAIO-X
Gloria Álvarez, 34 - Autora do livro “O Embuste Populista”, é ligada ao centro de estudos Caminos de la Libertad (México). Graduada em ciência política e relações internacionais pela Universidade Francisco Marroquín (Guatemala), tem mestrado em desenvolvimento internacional pela Universidade Georgetown.



quinta-feira, 28 de março de 2019

“Nana Caymmi ataca Chico, Gil e Caetano e não quer netas em show de pagode”


Cantora lança novo disco, defende Bolsonaro, reclama da Bahia e diz irritar pássaros ao cantar ópera

Luiz Fernando Vianna

RIO DE JANEIRO
Nana Caymmi não lançava CD desde 2009. Ao completar 78 anos, em 29 de abril, terá realizado mais dois —“Nana Caymmi Canta Tito Madi”, que sai agora pela Biscoito Fino, e um com músicas de Tom Jobim, acompanhada de orquestra, que ela gravará para o Sesc a partir do próximo dia 15.
Parece o reaquecimento da carreira de uma das principais intérpretes do país, mas Nana diz que não é bem assim.
“Estou fazendo uma despedida sem ir embora. Saída à francesa. A vida que me resta, de uma senhora, quero viver em paz”, afirma. “Acordei pro mundo: não tenho muito tempo. Quero ouvir o que eu não podia ouvir. Criei três filhos sozinha. O pai ficou na Venezuela, fez outra família.”
Quer ouvir óperas, prazer solitário na família, pois nem Dorival Caymmi, amante de música clássica, gostava de canto lírico. A soprano Renata Tebaldi é sua paixão maior.
“Mostrei pra Dori [seu irmão] e ele ficou de pau na mão. Falei: isso aí é que é cantar!”, anima-se, mas sem saber para quem deixará seus discos do gênero. “Minhas filhas são ignorantes em ópera. Nunca tive um marido que gostasse. Uns merdas.” Ela não confirma se foram dez maridos. Prefere dizer que “foi uma porrada”.
Em 71 minutos de entrevista à Folha, Nana falou 89 palavrões. É o seu jeito. Não foge de nenhum assunto, nem mesmo política, em que destoa do coro dos colegas artistas. Ela votou em Jair Bolsonaro no segundo turno.
“É injusto não dar a esse homem um crédito de confiança. Um homem que estava fodido, esfaqueado, correndo pra fazer um ministério, sem noção da mutreta toda... Só de tirar PMDB e PT já é uma garantia de que a vida vai melhorar. Agora vêm dizer que os militares vão tomar conta? Isso é conversa de comunista. GilCaetanoChico Buarque. Tudo chupador de pau de Lula. Então, vão pro Paraná fazer companhia a ele. Eu não me importo.”
Ela acha difícil voltar a se apresentar na Bahia, e isso também tem a ver com política. “Bahia não tem nada, é PT”. O partido está no governo do Estado há 12 anos. O pai, que morreu em 2008 aos 94 anos, já não tinha mais saudade da Bahia. “Ele ficou muito triste na última vez em que foi lá. E isso porque ainda era a época do capo, Antonio Carlos Magalhães [1927-2007]”. Nana diz que “toda a família se dava” com o ex-governador.
“Tenho medo do futuro dos meus netos e bisnetos. Pensar no Brasil não é comprar carro novo, apartamento com vista pro mar, o último celular da Apple, a última roupa do Givenchy. Fico muito triste”, lamenta.
Nos anos 2000, Nana gravou CDs cantando a obra do pai. Queria —e conseguiu— que ele ainda estivesse vivo para ouvir. E queria que não o esquecessem.
'EU COMIA A MPB E FAZIA PARCERIA. NA MÚSICA E NA CAMA'
“Já esqueceram. Tenho certeza absoluta. Sabe por que não se esquecem totalmente? Porque tem aniversário de morte, tem sempre uma macumbeira que se lembra de uma música qualquer, ou se lembram em 2 de fevereiro, dia de festa no mar. Tem sempre uma merda assim.”
Suas duas netas são exemplos, a seu ver, da dificuldade de se manter obras como a de Caymmi.
“Liguei pra Denise, minha filha, e perguntei das meninas. ‘Ah, elas não tão aqui, foram assistir ao show do Belo’. Eu falei: ‘O quê?’. Não tenho nada contra a pessoa. Mas duas bisnetas de Dorival Caymmi! Eu já fazia música com quatro anos. Meti bedelho quando vivi com João Donato, com Gil, com Claudio Nucci. Quer dizer, eu comia a canção popular brasileira e fazia parceria. Na música e na cama.”
De Alice, filha de Danilo que foi para o lado pop, ela fala com um pouco de tristeza, embora reconheça que a sobrinha tem ótima voz. “Eu tinha muita esperança de que ela fosse pro meu caminho. Achei que Alice ia dar mel, mas não deu.”
Nana queria lançar o CD dedicado à obra de Tito Madi com o compositor ainda vivo. Não deu tempo: ele morreu em 26 de setembro de 2018, aos 89 anos. Ela gravou em abril do ano passado, mas o produtor José Milton não conseguiu concluir o trabalho a tempo.
“É você fazer a festa sem o aniversariante. Mas ele ouviu, porque o Zé Milton mostrou. Ele sabia que um dia ia sair”, emociona-se ela. “A gente se falava muito pelo telefone. Eu percebi a estrela indo pro céu. Sabia que eu estava falando com alguém que estava se despedindo.”
Ela realiza algo que Tito Madi acreditava que Roberto Carlos faria. O cantor, segundo Madi, teria falado em gravar um disco dedicado à sua obra. Nana diz que também ouviu essa história. (“Ah, manda um CD para aquele rei sem trono”, aproveita para gritar à assessora de imprensa.) A Folha procurou a assessoria de Roberto, mas ele está em turnê nos EUA e não foi possível consultá-lo.
Tito Madi foi uma das primeiras paixões musicais de Nana. São as canções de sua “memória afetiva”, como diz, que predominam no repertório de 11 faixas. Sete foram compostas nos anos 1950, como “Cansei de Ilusões”, “Chove Lá Fora” e “Não Diga Não”. Esta é a única que ela já gravara: em 1983, no disco “Voz e Suor”, ao lado do pianista Cesar Camargo Mariano.
“O Cesar estudava todas aquelas músicas”, recorda. “Eu dizia: ‘Você quer parar de estudar essa merda? Vou escolher uma música pra você tocar no susto, na urina. Bateu, valeu. Deu, comeu’. Era ‘Não Diga Não’. Achei que ia botar no rabo dele com farinha, mas ele arrasou comigo. Fui cantando, ele acompanhando. É a música mais bonita do disco.”
Ela optou agora por uma interpretação mais contida. Diz que não queria competir com a versão muito forte feita ao lado de Cesar. “É como aquela pessoa que vai à cozinha e come à beça. Aí chega na hora da refeição e come um bifinho: ‘Tô de dieta’.” A nova versão é diet, portanto.
'EU ERA BOATEIRA, DANÇAVA QUE NEM UMA FILHA DA PUTA'
Mas tem uma canção mais suingada, “Balanço Zona Sul”, exceção na obra de Madi e no estilo de Nana. Foi um grande sucesso de Wilson Simonal nos anos 1960.
“Acho que Tito estava numa fase de ficar na praia vendo bunda de mulher. E a música é boa pra cacete. Simonal deve ter tirado um troco. Agora, Simonal é referência pra alguém? Conheci a arrogância dele, andava com escolta. Era muito vaidoso. Vi isso na Elis [Regina] também. Achavam que Elis era toda aquela santidade. Santidade era Clara Nunes, boníssima, uma pessoa que não tinha medo de quem fizesse sucesso. Elis não podia ver uma cantora nova que se arrepiava.”
Assim como o repertório de Dolores Duran, que Nana registrou em CD em 1994, o de Tito Madi ficou associado à ideia de fossa, palavra que ele acabou assumindo.
“Eu não tô nem aí pra expressão. Quer nome mais escroto do que bossa nova? O que a gente vai fazer contra a ignorância?”, ignora Nana, amante de sambas-canção e outras músicas que tocavam em boates. “Eu era boateira, dançava que nem uma filha da puta. Saía com as amigas pra pegar homem.”
Foi saindo na noite que ela conheceu Emílio Santiago, então um crooner. O cantor tinha decidido gravar um CD com músicas de Tito Madi quando morreu, em 2013, aos 66 anos, após um acidente vascular cerebral. Homenagear o amigo motivou Nana a voltar aos estúdios.
“Eu era cama e mesa com Emílio. Se a bicha não fosse bicha, eu estava casada com ela. E não teria morrido, porque eu ia levar para o médico a porrada. Comia feijoada à noite, achava que não existia colesterol. Ia jantar depois dos shows e comia verdadeiras bundas de vaca. Foi uma perda pra mim fodida.”
Em dezembro passado, perdeu outra pessoa querida, a cantora Miúcha, que também não cuidava da saúde, segundo Nana. “Essa filha da puta... Não parava de fumar”, diz, com tristeza.
A tristeza e o cansaço também estão ligados à situação de seu filho João Gilberto. Em 16 de dezembro de 1989, ele sofreu acidente de moto que lhe deixou sequelas neurológicas graves. Está com 51 anos. “Eu sou a companhia dele, dou vida a ele. Ele adora ver o Datena, e eu tenho que ver também.”
'OS PÁSSAROS FICAM PUTOS PORQUE EU CANTO AS ÓPERAS'
Nana quer vender o apartamento onde mora, no Alto Leblon, e se dividir entre o apartamento de Copacabana onde seus pais passaram o final da vida e o sítio da família em Pequeri (MG).
“Não aguento mais ficar de Rapunzel”, diz, referindo-se ao Alto Leblon. “Vou vender e torrar o dinheiro. Até eu morrer torro essa porra toda. Minhas filhas que se fodam. Eu não aturei elas? Não estou há 30 anos com esse acidentado? Ele vai ter Pequeri. É onde eu quero que ele fique. É a única maneira de ele ter vida saudável. “
Foi o filho quem a apresentou ao pop de George Michael, Madonna, Bee Gees e outros de quem ela gosta. Em Pequeri ouve mais suas óperas.
“Chego lá e é uma revolução. Os pássaros ficam putos, porque eu canto as óperas junto com os discos.”
Embora tenha optado pela contenção ao interpretar Tito Madi agora, ela demonstra segurança quanto à própria voz.
“Não fiquei preocupada. Tô vendo meus colegas cantores todos fodidos aí. Dori e Cristovão Bastos [arranjadores do CD] dizem que eu estou uma beleza. Não sei se é só pra me agradar.”
A voz será posta à prova no trabalho dedicado a Tom Jobim. Serão músicas adequadas a orquestras, como “As Praias Desertas”, “Derradeira Primavera” e “Janelas Abertas”. “Não é pra qualquer um. Se eu morrer, não estou vendo cantora que faça isso.”
'CAETANO SÓ DÁ GRITO QUANTO ESTÁ FURIOSO COM A PAULA [LAVIGNE]'
Ela diz que não tem paciência para turnês, aeroportos etc. Mas adora estúdios.  
“Coisa mais gostosa de fazer é gravar. Todo cantor que se preza gosta mais de estúdio.” Alertada de que o ex-marido Gilberto Gil já disse preferir palcos, ela minimiza. “Gil é maluco, adora aparecer. Se pudesse, dormia no palco. E ele tá cansado. Chega, está cantando há séculos e aos gritos. Eu falei: ‘Gil, não grita’, ‘Gil, não grita’. Mas conselho não se dá. Por que Caetano tem a voz que tem, a mesma desde que nasceu entre as pernas de dona Canô? Não há possibilidade de ele dar um grito. Só dá grito quando ele tá furioso com a Paula [Lavigne] ou se é pra falar de jornalista.”
Ela pensa em fazer poucos shows com o repertório de Tito Madi, de preferência nos lugares em que se apresentar com o de Tom. São Paulo, por exemplo. Mas preferiu gravar o CD com canções de Tom no Rio, perto de casa. “Se fosse pra gravar em São Paulo, eu ia limpar o rabo com o contrato.” 
Cogita abrir uma exceção: apresentar-se em Belém, cidade onde ela diz ser maravilhosamente recebida. Mas, para evitar escala em Brasília, teria que pegar um voo às 9h, horário que não a agrada. “Às 9 da manhã eu não sou mulher, eu sou veado.”
Apesar do desalento, ela não descarta fazer mais um disco de inéditas, que poderia ser o seu último.
“Se você noticiar que eu vou fazer um disco de inéditas, estou fodida. Na mesma hora recebo um caminhão de discos. É uma responsabilidade que eu não quero pegar, uma esperança que não quero dar. Se eu resolver fazer, aviso com antecedência.”
Gravando ou não um CD de despedida, ela diz já ter cumprido sua missão na música. “Já dei régua e compasso. Agora, é como diz meu ex-marido: Aquele abraço!”

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

“Bolsonaro admira um assassino e ladrão", por Clóvis Rossi

Clóvis Rossi
Ao chamar o general paraguaio Alfredo Stroessner de “estadista", Jair Bolsonaro desqualifica a si próprio como presidente de um regime democrático.
Stroessner nunca foi um estadista e, sim, um nefando déspota assassino.
Bolsonaro nem precisaria recorrer à ampla bibliografia que conta a história da ditadura do período 1954-1989. Bastaria conhecer, por exemplo, decisão de 2003 da justiça paraguaia que determinou o embargo dos bens de Stroessner (então exilado no Brasil), em uma causa por violação aos direitos humanos.
Foi responsabilizado pela morte sob tortura, em 1974, de Celestina Pérez de Almeida, esposa do educador Martín Almada.
Mas esse fato, por si só, não comoveria Bolsonaro, cujo ídolo chama-se Carlos Alberto Brilhante Ustra, o primeiro militar condenado pela justiça pela prática de tortura. Quem admira um torturador admira todos eles.
Mas Stroessner não era apenas um ditador. Era também tão corrupto que o juiz Arnaldo Fleitas estimou, certa vez, a sua fortuna de Stroessner em US$ 500 milhões (equivalentes hoje a R$ 1,8 bilhão), distribuídos em contas secretas na Suíça ou abertas em nomes de terceiros e da empresa Sur Inmobiliaria, administrada por alguns de seus netos.
O ditador Alfredo Stroessner, em desfile em 1963 em Assunção - Reuters
 
Se uma pessoa assim é um estadista, para Bolsonaro, então Sérgio Cabral também o é, assim como Paulo Preto, certo?
Se se desse ao trabalho de ler alguma coisa além dos tuítes de seus filhos, Bolsonaro ficaria sabendo, por exemplo, que a ditadura de Stroessner ficou marcada, entre outros pontos, pela violação sistemática aos direitos humanos (práticas de torturas físicas e psicológicas, assassinatos, exílios forçados, desaparecimentos, violações sexuais, entre outros); por gordo esquema de corrupção e pela censura aos órgãos de imprensa (talvez a admiração de Bolsonaro se explique por aí).
Quem quiser se informar sobre o que foi de fato o regime do “estadista” de Bolsonaro pode consultar o chamado “Archivo del Terror", uma penca de documentos encontrados em 1992 em uma delegacia de polícia de Lambaré, a 30 quilômetros de Assunção. Os documentos estão armazenados no Palácio de Justiça e comprovam não só as práticas bárbaras da ditadura como o trabalho conjunto com outros regimes autoritários do Cone Sul, Brasil inclusive.
É claro que, ao rotular um déspota como estadista, Bolsonaro não vai conseguir reescrever a história. O perigo é que esse tipo de avaliação idiotizada destapa uma caixa de Pandora da qual tendem a emergir boçalidades como, para ficar na mais recente, a proposta de cantar o hino e filmar as crianças fazendo-o.
Clóvis Rossi
Repórter especial, membro do Conselho Editorial da Folha e vencedor do prêmio Maria Moors Cabot.

domingo, 4 de novembro de 2018

"Os Desesperados", editorial do Estadão


Os petistas prometem "construir uma frente de resistência pelas liberdades democráticas", como se o País estivesse às portas da ditadura

O Estado de S.Paulo
04 Novembro 2018 | 04h00

Uma oposição “propositiva” ao governo de Jair Bolsonaro é o que prometem alguns partidos de esquerda que já começam a se organizar com vista à próxima legislatura. Não por acaso, esse bloco excluirá o PT. Segundo explicou o deputado André Figueiredo (CE), líder do PDT na Câmara, o partido do ex-presidente e hoje presidiário Lula da Silva “tem um modus operandi próprio dele”, enquanto o bloco formado por PDT, PSB e PCdoB “tem um outro modelo de oposição”, isto é, “um modelo construtivo para o País”.
Ainda será preciso esperar que esses partidos passem das belas palavras aos atos concretos, mas é significativo que agremiações que tão fortemente antagonizaram com Bolsonaro durante a campanha agora se digam dispostas a fazer oposição responsável ao próximo governo.
Também é significativo que o grupo tenha dispensado o PT e sua linha auxiliar, o PSOL, das conversas para a formação de um bloco de oposição. O pedetista André Figueiredo explicou que não é mais possível aceitar “o hegemonismo que o PT quer impor aos demais partidos” e que nenhuma dessas legendas de esquerda aceita ser “um puxadinho do PT”.
O isolamento do PT no campo da oposição é a consequência natural do comportamento autoritário do partido, incapaz de uma convivência democrática mesmo com aqueles com os quais nutre alguma afinidade ideológica. Para os petistas, nada que não tenha sido ditado pelo PT tem legitimidade.
À medida que foi sendo desossado pelas urnas e pela Justiça, o partido de Lula da Silva recrudesceu seu autoritarismo, expondo cada vez mais seu desespero. Depois de passar a campanha inteira a denunciar como “golpe” o impeachment constitucional de Dilma Rousseff, a exigir a libertação de Lula, como se este não tivesse que cumprir pena pelos crimes que cometeu, e a exigir apoio a seu candidato como única forma de “salvar a democracia” ante o perigo do “fascismo” supostamente representado pela candidatura de Bolsonaro, o PT agora trata de dizer que a vitória do oponente resultou de um processo “eivado de vícios e fraudes”, conforme declarou a presidente do partido, Gleisi Hoffmann.
Os petistas, assim, fazem exatamente aquilo que deles se esperava – isto é, em vez de aceitar o resultado das urnas e se organizar para fazer oposição decente e leal ao futuro governo, preferem deflagrar campanha para deslegitimar a vitória de Bolsonaro. Do alto de sua prepotência, os petistas dizem que Bolsonaro foi eleito depois de “uma campanha de ódio e de mentiras, que nos últimos anos manipulou o desespero e a insegurança da população”, como diz uma resolução da Executiva Nacional do PT aprovada logo após a eleição. Ou seja, para o PT, se não houvesse “manipulação” e “mentiras” o candidato petista seria eleito com folga.
Um partido que em documento oficial chama um presidente democraticamente eleito de “aventureiro fascista”, como faz o PT, não tem a menor intenção de fazer oposição. Para esta atitude verdadeiramente golpista já chamávamos a atenção no editorial Desespero, de 19 de outubro. Sua intenção é inviabilizar o governo e, por tabela, impedir que o País saia da crise que os próprios petistas criaram em sua desastrosa passagem pela Presidência. Os desesperados petistas prometem “construir uma frente de resistência pelas liberdades democráticas”, como se o País estivesse às portas da ditadura, e essa “resistência” se estende a tudo o que interessa à maioria da população, a começar pela reforma da Previdência.
Enquanto isso, os grupelhos a serviço do lulopetismo mostram do que é feita a “democracia” que defendem: uma manifestação convocada pelo notório Guilherme Boulos para exigir que Bolsonaro “respeite a oposição” e “as liberdades democráticas” acabou em tumulto e depredação na terça-feira passada em São Paulo.
Não surpreende, assim, que a tal “frente de oposição” que o PT pretende liderar não tenha apoio. O grave momento do País exige um esforço de todos para a superação da crise, o que implica a existência de uma oposição dura, porém prudente. Os sabotadores – aqueles que não se importam com o interesse público – devem ser isolados, para que fique patente de vez sua profunda irresponsabilidade.
https://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,os-desesperados,70002583377

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

"Bolsonaro, o 'mito', derrotou a 'ideia' Lula", por José Nêumanne

Os quase 60 milhões de eleitores que votaram no capitão só queriam se livrar do ladrão
JOSÉ NÊUMANNE, O Estado de S.Paulo
31 Outubro 2018 | 03h00

Nêumanne
Desde 2013 que o demos (povo, em grego) bate à porta da kratia (governo), tentando fazer valer o preceito constitucional segundo o qual “todo poder emana do povo” (artigo 1.º, parágrafo único), mas só dá com madeira na cara. Então, em manifestações gigantescas na rua, a classe média exigiu ser ouvida e o poste de Lula, de plantão no palácio, fez de conta que a atendia com falsos “pactos” com que ganhou tempo. No ano seguinte, na eleição, ao custo de R$ 800 milhões (apud Palocci), grande parte dessa dinheirama em propinas, ela recorreu a um marketing rasteiro para manter a força.
Na dicotomia da época, o PSDB, que tivera dois mandatos, viu o PT chegar ao quarto, mas numa eleição que foi apertada, em que o derrotado obtivera 50 milhões de votos. Seu líder, então incontestado, Aécio Neves, não repetiu o vexame dos correligionários derrotados antes – Serra, Alckmin e novamente Serra – e voltou ao Senado como alternativa confiável aos desgovernos petistas. Mas jogou-a literalmente no lixo, dedicando-se à vadiagem no cumprimento do que lhe restava do mandato. O neto do fundador da Nova República, Tancredo Neves, deixou de ser a esperança de opção viável aos desmandos do PT de Lula e passou a figurar na galeria do opróbrio ao ser pilhado numa delação premiada de corruptores, acusado de se vender para fazer o papel de oposição de fancaria. O impeachment interrompeu a desatinada gestão de Dilma, substituída pelo vice escolhido pelo demiurgo de Garanhuns, Temer, do MDB, que assumiu e impediu o salto no abismo, ficando, porém, atolado na própria lama.
Foi aí que o demos resolveu exercer a kratia e, donas do poder, as organizações partidárias apelaram para a força que tinham. Garantidas pelo veto à candidatura avulsa, substituídas as propinas privadas pelo suado dinheiro público contado em bilhões do fundo eleitoral, no controle do horário político obrigatório e impunes por mercê do Judiciário de compadritos, elas obstruíram o acesso do povo ao palácio.
Em janeiro, de volta pra casa outra vez, o cidadão sem mandato sonhou com o “não reeleja ninguém” para entrar nos aposentos de rei pelas urnas. Chefões partidários embolsaram bilhões, apostaram no velho voto de cabresto do neocoronelismo e pactuaram pela impunidade geral para se blindarem. Mas, ocupados em só enxergar seus umbigos, deixaram que o PSL, partido de um deputado só, registrasse a candidatura do capitão Jair Bolsonaro para conduzir a massa contra a autossuficiência de Lula, ladrão conforme processo julgado em segunda instância com pena de 12 anos e 1 mês a cumprir. O oficial, esfaqueado e expulso da campanha, teve 10 milhões de votos a mais do que o preboste do preso.
Na cela “de estado-maior” da Polícia Federal em Curitiba, limitado à visão da própria cara hirsuta, este exerceu o culto à personalidade com requintes sadomasoquistas e desprezo pela sorte e dignidade de seus devotos fiéis. Desafiou a Lei da Ficha Limpa, iniciativa popular que ele sancionara, transformou um ex-prefeito da maior cidade do País em capacho, porta-voz, pau-mandado, preposto, poste e, por fim, portador da própria identidade, codinome, como Estela foi de Dilma na guerra suja contra a ditadura. Essa empáfia escravizou a esquerda Rouanet ao absurdo de insultar 57 milhões, 796 mil e 986 brasileiros que haviam decidido livrar-se dele de nazistas, súditos do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, que não se perca pelo nome, da Alemanha de Weimar: a ignorância apregoada pela arrogância.
Com R$ 1,2 milhão, 800 vezes menos do que Palocci disse que Dilma gastara há quatro anos, oito segundos da exposição obrigatória contra 6 minutos e 3 segundos de Alckmin na TV, carregando as fezes na bolsa de colostomia e se ausentando dos debates, Bolsonaro fez da megalomania de Lula sua força, em redes sociais em que falou o que o povo exigia ouvir.
A apoteose triunfal do “mito” que derrotou a “ideia” produziu efeitos colaterais. Inspirou a renovação de 52% da Câmara; elegeu governadores nos três maiores colégios eleitorais; anulou a rasura na Constituição com que Lewandowski, Calheiros e Kátia permitiram a Dilma disputar e perder a eleição; e forçou o intervalo na carreira longeva de coveiros da república podre.
O nostálgico da ditadura, que votou na Vila Militar, tem missões espinhosas a cumprir: debelar a violência, coibir o furto em repartições públicas e estatais, estancar a sangria do erário em privilégios da casta de políticos e marajás e seguir os exemplos impressos nos livros postos na mesa para figurarem no primeiro pronunciamento público após a vitória, por live. Ali repousavam a Constituição e um livro de Churchill, o maior estadista do século 20.

Não lhe será fácil cumprir as promessas de reformas, liberdade e democracia, citadas na manchete do Estado anteontem. Vai enfrentar a oposição irresponsável, impatriótica e egocêntrica do presidiário mais famoso do Brasil, que perdurará até cem anos depois de sua morte. E não poderá fazê-lo com truculência nem terá boa inspiração nos ditadores que ornam a parede do gabinete que ocupou. Sobre Jânio e Collor, dois antecessores que prometeram à cidadania varrer a corrupção e acabar com os marajás, tem a vantagem de aprender com os erros que levaram o primeiro à renúncia e o outro ao impeachment.
Talvez o ajude recorrer a boas cabeças da economia que trabalharam para candidatos rivais, como os autores do Plano Real e a equipe do governo Temer, para travarem o bom combate ocupando o “posto Ipiranga” sob a batuta de Paulo Guedes. Poderá ainda atender à cidadania se nomear bons ministros para o Supremo Tribunal Federal e levar o Congresso a promover uma reforma política que ponha fim a Fundo Partidário, horário obrigatório e outros entulhos da ditadura dos partidos, de que o povo também quer se livrar em favor da desejável igualdade.

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